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Argentina e Brasil após a reeleição de Lula: o comércio bilateral em números do Indec

O Brasil é o principal destino das exportações argentinas: comprou US$ 9,789 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, 12,7% do total, segundo o Indec. O que a Argentina exporta e importa, o déficit com o Brasil e o que muda com o quarto mandato de Lula.

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Argentina e Brasil após a reeleição de Lula: o comércio bilateral em números do Indec

Foto: Ulises Icardi, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

O Brasil comprou produtos argentinos no valor de US$ 9,789 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, 12,7% de todas as exportações do país, e se manteve como seu principal destino, segundo o relatório de intercâmbio comercial de setembro do [Indec](https://www.indec.gob.ar/uploads/informesdeprensa/ica_10_263F42E3F39F.pdf), o instituto de estatística argentino. Do Brasil veio 21,4% das importações argentinas. A reeleição de Lula da Silva no domingo, 25 de outubro, garante mais quatro anos de um governo com o qual o presidente Javier Milei tem tido uma relação tensa.

Lula venceu o segundo turno com 51,79% contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (veja os resultados por estado). Estes são os números do comércio entre Argentina e Brasil, o que se vende e se compra e por que o resultado importa para a economia argentina.

O comércio entre Argentina e Brasil em 2026

Indicador (janeiro a setembro de 2026)Valor
Exportações argentinas para o BrasilUS$ 9,789 bilhões
Participação do Brasil nas exportações totais12,7% (primeiro destino)
Participação do Brasil nas importações totais21,4%
Importações do Brasil (estimativa)Cerca de US$ 12 bilhões
Saldo com o Brasil (estimativa)Déficit de cerca de US$ 2,2 bilhões
Exportações ao MercosulUS$ 13,471 bilhões (+10,7% no ano)
Importações do MercosulUS$ 16,114 bilhões (−7,4% no ano)

Fonte: Indec, Intercâmbio comercial argentino de setembro de 2026. O Indec informa que o Brasil respondeu por 74,5% das compras do Mercosul; as importações do Brasil e o saldo são cálculo próprio com esse percentual. O Brasil absorveu 72,7% do que a Argentina vendeu ao bloco. Estados Unidos (10%) e China (9,2%) foram o segundo e o terceiro destinos das exportações nos nove meses.

O que a Argentina vende ao Brasil e o que compra

Setembro de 2026Exportações para o BrasilImportações do Brasil
ValorUS$ 1,206 bilhãoUS$ 1,375 bilhão
Variação anual+US$ 32 milhões−US$ 327 milhões
Saldo do mêsDéficit de US$ 169 milhões
Principais produtosVeículos de carga, trigo, automóveis e petróleo bruto (41,3% do total)Menores compras de veículos e bens de capital explicam a queda

Fonte: Indec. As vendas ao Brasil subiram por combustíveis e energia. No comércio com todo o Mercosul, soja em grão, automóveis e cavalos mecânicos para semirreboques foram os principais produtos importados. Em setembro, a Argentina teve superávit comercial total de US$ 2,976 bilhões (veja a balança comercial de setembro).

Os destinos das exportações argentinas em 2026

Destino ou parceiroDadoPeríodo
Brasil12,7% das exportações (primeiro destino)Janeiro a setembro
Estados Unidos10,0% das exportaçõesJaneiro a setembro
China9,2% das exportações; principal parceiro por intercâmbio em setembro (US$ 2,803 bilhões)Janeiro a setembro e setembro
MercosulExportações de US$ 1,729 bilhão e importações de US$ 1,770 bilhãoSetembro
Resto da ALADI (Chile, Peru e outros)Superávit de US$ 7,944 bilhões, o maior da ArgentinaJaneiro a setembro

Fonte: Indec. Chile e Peru responderam juntos por 76,1% das exportações ao "Resto da ALADI". Com a China, ao contrário, a Argentina teve o maior déficit dos nove meses: US$ 5,901 bilhões. O comércio com o Brasil é deficitário, mas muito mais diversificado: inclui automóveis, alimentos, energia e insumos industriais.

Contêineres e guindastes no porto de Salvador, Bahia
Contêineres no porto de Salvador, na Bahia. O Brasil é o principal destino das exportações argentinas. Foto: Samory Pereira Santos, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.

Por que a eleição no Brasil importa para a Argentina

  • A indústria automotiva: carros e picapes são o coração do comércio bilateral. As vendas argentinas de veículos dependem da demanda brasileira e das regras do comércio automotivo entre os dois países.
  • O câmbio: um real forte barateia o que a Argentina vende ao Brasil e encarece o que compra. O real subiu 9% frente ao dólar em 2026 (veja moedas da América Latina frente ao dólar).
  • O Mercosul: o bloco negocia acordos externos que exigem consenso entre seus sócios, e Lula e Milei têm posições diferentes sobre seu futuro.
  • A política: Milei e Lula carregam um conflito desde a campanha argentina de 2023; em 2024, Lula pediu que Milei se desculpasse por suas declarações e ele se recusou (Buenos Aires Times).

O ritmo da economia brasileira pesa tanto quanto a relação entre os presidentes: o Brasil é o principal comprador do que a Argentina produz. A última medição da atividade na Argentina mostrou queda de 1,7% em agosto (veja o EMAE de agosto).

Guindastes e contêineres no porto de Buenos Aires
O porto de Buenos Aires. O Mercosul concentrou 17,4% das exportações argentinas entre janeiro e setembro. Foto: Dan DeLuca, CC BY 2.0, Wikimedia Commons.

Argentina e Brasil rumo a 2027

O novo mandato de Lula começa em 5 de janeiro de 2027 e coincide com o ano eleitoral na Argentina, onde Milei buscará a reeleição (veja as eleições presidenciais de 2027). O Indec publicará o intercâmbio comercial de outubro no fim de novembro: atualizaremos estes números nesta mesma matéria.

Perguntas frequentes

Quanto a Argentina exporta para o Brasil?

US$ 9,789 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, 12,7% do total exportado, segundo o Indec.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina?

É o principal destino das exportações. Pelo intercâmbio total de setembro, a China foi o principal parceiro, com US$ 2,803 bilhões.

A Argentina tem superávit ou déficit com o Brasil?

Déficit: em setembro foi de US$ 169 milhões, e nos nove meses fica em torno de US$ 2,2 bilhões, segundo cálculo próprio com dados do Indec.

O que a Argentina exporta para o Brasil?

Principalmente veículos de carga, trigo, automóveis e petróleo bruto.

Quando Lula assume o novo mandato?

Em 5 de janeiro de 2027.