O Brasil comprou produtos argentinos no valor de US$ 9,789 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, 12,7% de todas as exportações do país, e se manteve como seu principal destino, segundo o relatório de intercâmbio comercial de setembro do [Indec](https://www.indec.gob.ar/uploads/informesdeprensa/ica_10_263F42E3F39F.pdf), o instituto de estatística argentino. Do Brasil veio 21,4% das importações argentinas. A reeleição de Lula da Silva no domingo, 25 de outubro, garante mais quatro anos de um governo com o qual o presidente Javier Milei tem tido uma relação tensa.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (veja os resultados por estado). Estes são os números do comércio entre Argentina e Brasil, o que se vende e se compra e por que o resultado importa para a economia argentina.
O comércio entre Argentina e Brasil em 2026
| Indicador (janeiro a setembro de 2026) | Valor |
|---|---|
| Exportações argentinas para o Brasil | US$ 9,789 bilhões |
| Participação do Brasil nas exportações totais | 12,7% (primeiro destino) |
| Participação do Brasil nas importações totais | 21,4% |
| Importações do Brasil (estimativa) | Cerca de US$ 12 bilhões |
| Saldo com o Brasil (estimativa) | Déficit de cerca de US$ 2,2 bilhões |
| Exportações ao Mercosul | US$ 13,471 bilhões (+10,7% no ano) |
| Importações do Mercosul | US$ 16,114 bilhões (−7,4% no ano) |
Fonte: Indec, Intercâmbio comercial argentino de setembro de 2026. O Indec informa que o Brasil respondeu por 74,5% das compras do Mercosul; as importações do Brasil e o saldo são cálculo próprio com esse percentual. O Brasil absorveu 72,7% do que a Argentina vendeu ao bloco. Estados Unidos (10%) e China (9,2%) foram o segundo e o terceiro destinos das exportações nos nove meses.
O que a Argentina vende ao Brasil e o que compra
| Setembro de 2026 | Exportações para o Brasil | Importações do Brasil |
|---|---|---|
| Valor | US$ 1,206 bilhão | US$ 1,375 bilhão |
| Variação anual | +US$ 32 milhões | −US$ 327 milhões |
| Saldo do mês | Déficit de US$ 169 milhões | |
| Principais produtos | Veículos de carga, trigo, automóveis e petróleo bruto (41,3% do total) | Menores compras de veículos e bens de capital explicam a queda |
Fonte: Indec. As vendas ao Brasil subiram por combustíveis e energia. No comércio com todo o Mercosul, soja em grão, automóveis e cavalos mecânicos para semirreboques foram os principais produtos importados. Em setembro, a Argentina teve superávit comercial total de US$ 2,976 bilhões (veja a balança comercial de setembro).
Os destinos das exportações argentinas em 2026
| Destino ou parceiro | Dado | Período |
|---|---|---|
| Brasil | 12,7% das exportações (primeiro destino) | Janeiro a setembro |
| Estados Unidos | 10,0% das exportações | Janeiro a setembro |
| China | 9,2% das exportações; principal parceiro por intercâmbio em setembro (US$ 2,803 bilhões) | Janeiro a setembro e setembro |
| Mercosul | Exportações de US$ 1,729 bilhão e importações de US$ 1,770 bilhão | Setembro |
| Resto da ALADI (Chile, Peru e outros) | Superávit de US$ 7,944 bilhões, o maior da Argentina | Janeiro a setembro |
Fonte: Indec. Chile e Peru responderam juntos por 76,1% das exportações ao "Resto da ALADI". Com a China, ao contrário, a Argentina teve o maior déficit dos nove meses: US$ 5,901 bilhões. O comércio com o Brasil é deficitário, mas muito mais diversificado: inclui automóveis, alimentos, energia e insumos industriais.

Por que a eleição no Brasil importa para a Argentina
- A indústria automotiva: carros e picapes são o coração do comércio bilateral. As vendas argentinas de veículos dependem da demanda brasileira e das regras do comércio automotivo entre os dois países.
- O câmbio: um real forte barateia o que a Argentina vende ao Brasil e encarece o que compra. O real subiu 9% frente ao dólar em 2026 (veja moedas da América Latina frente ao dólar).
- O Mercosul: o bloco negocia acordos externos que exigem consenso entre seus sócios, e Lula e Milei têm posições diferentes sobre seu futuro.
- A política: Milei e Lula carregam um conflito desde a campanha argentina de 2023; em 2024, Lula pediu que Milei se desculpasse por suas declarações e ele se recusou (Buenos Aires Times).
O ritmo da economia brasileira pesa tanto quanto a relação entre os presidentes: o Brasil é o principal comprador do que a Argentina produz. A última medição da atividade na Argentina mostrou queda de 1,7% em agosto (veja o EMAE de agosto).

Argentina e Brasil rumo a 2027
O novo mandato de Lula começa em 5 de janeiro de 2027 e coincide com o ano eleitoral na Argentina, onde Milei buscará a reeleição (veja as eleições presidenciais de 2027). O Indec publicará o intercâmbio comercial de outubro no fim de novembro: atualizaremos estes números nesta mesma matéria.
Perguntas frequentes
Quanto a Argentina exporta para o Brasil?
US$ 9,789 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, 12,7% do total exportado, segundo o Indec.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina?
É o principal destino das exportações. Pelo intercâmbio total de setembro, a China foi o principal parceiro, com US$ 2,803 bilhões.
A Argentina tem superávit ou déficit com o Brasil?
Déficit: em setembro foi de US$ 169 milhões, e nos nove meses fica em torno de US$ 2,2 bilhões, segundo cálculo próprio com dados do Indec.
O que a Argentina exporta para o Brasil?
Principalmente veículos de carga, trigo, automóveis e petróleo bruto.
Quando Lula assume o novo mandato?
Em 5 de janeiro de 2027.



