A Argentina registrou em setembro de 2026 um superávit comercial de US$ 2,976 bilhões, com exportações recorde no ano, de US$ 10,036 bilhões (23,5% mais que um ano antes), e importações de US$ 7,06 bilhões (1,8% menos), segundo o relatório de Intercâmbio Comercial Argentino do [Indec](https://www.indec.gob.ar/uploads/informesdeprensa/ica_10_263F42E3F39F.pdf), publicado em 19 de outubro. É o 34º mês seguido de saldo positivo, e nos primeiros nove meses do ano o superávit soma US$ 21,198 bilhões, mais que o triplo do mesmo período de 2025.
O dado chega em uma semana de tensão financeira: o risco-país voltou a superar 700 pontos na quinta-feira, 22 (Infobae). Estes são os números do comércio exterior e o que os explica.
A balança comercial da Argentina em setembro
| Indicador | Setembro de 2026 | Setembro de 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Exportações | US$ 10.036 milhões | US$ 8.128 milhões | +23,5% |
| Importações | US$ 7.060 milhões | US$ 7.191 milhões | -1,8% |
| Saldo | US$ 2.976 milhões | US$ 937 milhões | +US$ 2.039 milhões |
| Intercâmbio total | US$ 17.095 milhões | s. i. | +11,6% |
| Termos de troca | s. i. | s. i. | +5,4% |
Fonte: Indec, números estimados. As exportações cresceram por preços (16,4%) e por quantidades (6,1%); as importações caíram porque as quantidades recuaram 11,2%, embora os preços tenham subido 10,4%. Em relação a agosto, na série com ajuste sazonal, as exportações cresceram 8,6%. "s. i.": o relatório não traz esse dado no resumo.
Mês a mês: a balança comercial da Argentina em 2026
| Mês de 2026 | Exportações | Importações | Saldo |
|---|---|---|---|
| Janeiro | 7.245 | 5.057 | 2.189 |
| Fevereiro | 5.963 | 5.167 | 797 |
| Março | 8.697 | 6.116 | 2.581 |
| Abril | 8.916 | 6.203 | 2.713 |
| Maio | 9.578 | 6.128 | 3.450 |
| Junho | 9.112 | 6.877 | 2.235 |
| Julho | 8.854 | 6.756 | 2.098 |
| Agosto | 8.866 | 6.707 | 2.159 |
| Setembro | 10.036 | 7.060 | 2.976 |
| Janeiro-setembro | 77.267 | 56.069 | 21.198 |
Em milhões de dólares. Fonte: quadro 1 do relatório do Indec. Maio teve saldo maior (US$ 3,45 bilhões), mas setembro marcou o recorde de exportações do ano. Em nove meses, as exportações crescem 21,6% e as importações caem 2,5%; no mesmo período de 2025, o saldo foi de apenas US$ 6,046 bilhões.

O que a Argentina vende: energia e agro puxam as exportações
| Exportações por grupo (setembro de 2026) | Valor | Variação anual |
|---|---|---|
| Manufaturas de origem agropecuária | US$ 3.495 milhões | +16,8% |
| Manufaturas de origem industrial | US$ 2.534 milhões | +17,5% |
| Produtos primários | US$ 2.225 milhões | +9,2% |
| Combustíveis e energia | US$ 1.781 milhões | +89,1% |
Fonte: Indec. O grupo de combustíveis e energia quase dobrou suas vendas, com mais volume (pela produção de Vaca Muerta) e melhores preços internacionais do petróleo. Em nove meses, foi o grupo de maior crescimento: as quantidades subiram 29,5% e os preços 18,6%, segundo o mesmo relatório. Os produtos mais vendidos em setembro foram farelo e pellets de soja (US$ 1,006 bilhão) e milho em grão (US$ 833 milhões).

O que a Argentina compra: caem os bens de capital
| Importações por uso (setembro de 2026) | Valor | Participação | Variação anual |
|---|---|---|---|
| Bens intermediários | US$ 2.521 milhões | 35,7% | +11,9% |
| Bens de capital | US$ 1.413 milhões | 20,0% | -10,4% |
| Peças e acessórios para bens de capital | US$ 1.256 milhões | 17,8% | -3,5% |
| Bens de consumo | US$ 1.129 milhões | 16,0% | -2,5% |
| Veículos de passageiros | US$ 450 milhões | 6,4% | -27,2% |
| Combustíveis e lubrificantes | US$ 181 milhões | 2,6% | +3,5% |
| Resto (inclui courier) | US$ 110 milhões | 1,6% | +0,3% |
Fonte: Indec. Só os bens intermediários, os insumos usados pela indústria, cresceram com força. A queda dos bens de capital, as máquinas e equipamentos com que as empresas investem, e dos carros importados é sinal de menos investimento e consumo. Em nove meses, as quantidades importadas caíram 9,7%, com quedas de 25,9% em peças e acessórios e de 13,9% em bens de capital, enquanto os preços de importação subiram 8,0%. Ou seja, o superávit reflete não só mais vendas ao exterior, mas também uma economia que compra menos.
Com quem a Argentina comercia
| Parceiro (setembro de 2026) | Exportações | Importações | Saldo |
|---|---|---|---|
| Brasil | US$ 1.206 milhões | US$ 1.375 milhões | -US$ 169 milhões |
| China | US$ 986 milhões | US$ 1.817 milhões | -US$ 831 milhões |
| Estados Unidos | US$ 1.011 milhões | US$ 631 milhões | +US$ 379 milhões |
| União Europeia | US$ 953 milhões | US$ 1.017 milhões | -US$ 64 milhões |
| Chile | US$ 750 milhões | US$ 111 milhões | +US$ 640 milhões |
Fonte: Indec. China, Brasil e Estados Unidos concentraram 23,3%, 21,4% e 9,2% das importações. Com o Chile, a Argentina teve um de seus maiores superávits do mês. A desaceleração das importações é coerente com uma economia que esfriou no segundo semestre (veja a queda do EMAE de agosto).
Por que o superávit comercial da Argentina importa
O superávit comercial é a principal fonte de dólares da economia argentina, que precisa pagar dívida em moeda estrangeira e sustentar suas reservas. Com o risco-país de novo acima de 700 pontos e dúvidas do mercado sobre os vencimentos de 2027, os dólares do comércio são essenciais (veja o que é o risco-país). O BBVA Research projeta exportações recorde de US$ 102 bilhões em 2026 (BBVA Research). O Indec também observa que, a preços de 2025, o saldo dos nove meses teria sido de US$ 17,537 bilhões: a melhora de preços acrescentou cerca de US$ 2,092 bilhões. O próximo relatório, com dados de outubro, sai no fim de novembro. Para o contexto cambial, veja o dólar na Argentina.
Perguntas frequentes
Qual foi a balança comercial da Argentina em setembro de 2026?
Superávit de US$ 2,976 bilhões, com exportações de US$ 10,036 bilhões e importações de US$ 7,06 bilhões, segundo o Indec.
Quanto soma o superávit em 2026?
US$ 21,198 bilhões entre janeiro e setembro, ante US$ 6,046 bilhões no mesmo período de 2025.
Qual grupo mais cresceu?
Combustíveis e energia, com exportações 89,1% maiores que em setembro de 2025.
Com qual país a Argentina tem o maior déficit?
Com a China: US$ 831 milhões em setembro.
Há quantos meses seguidos há superávit?
34 meses consecutivos, segundo o Indec.



