O risco-país da Argentina fechou em 648 pontos-base na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, o maior nível desde 2 de outubro, segundo o índice do JP Morgan divulgado pela Rava Bursátil e citado pela [Agencia Nova](https://www.agencianova.com/economia-y-empresas/2026/10/16/174015/con-el-presidemente-milei-el-riesgo-pais-volvio-a-subir-y-alcanzo-648-puntos/). O indicador subiu mais de 4% no dia e acumula alta de 75 pontos desde 6 de outubro, quando marcava 573. Em junho, ao contrário, havia chegado a ficar abaixo de 400 pontos, o menor nível desde 2018.
A alta coincidiu com um discurso do presidente Javier Milei na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, em Washington, onde afirmou que o risco-país "segue caindo dia a dia". Veja o que é esse indicador, como se lê e por que voltou a subir.
O que é o risco-país da Argentina e como é medido
O risco-país é a diferença entre a taxa que pagam os títulos em dólares de um país e a que pagam os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados os mais seguros. É expresso em pontos-base: 100 pontos equivalem a um ponto percentual. O índice mais citado é o EMBI, elaborado pelo banco JP Morgan.
| Risco-país | Sobretaxa sobre os títulos dos EUA | Como se interpreta |
|---|---|---|
| 100 pontos | 1 ponto percentual | Muito baixo: dívida de países com grau de investimento |
| 400 pontos | 4 pontos percentuais | Moderado: permite emitir dívida, embora caro |
| 648 pontos (16 de outubro) | 6,48 pontos percentuais | Alto: dificulta voltar ao mercado internacional |
| 1.000 pontos ou mais | 10 pontos percentuais ou mais | Muito alto: o mercado vê risco sério de calote |
Na prática, se um título do Tesouro americano rende 5% ao ano, com 648 pontos a Argentina teria de oferecer cerca de 11,5% para colocar dívida em dólares num prazo parecido. O valor diário pode ser acompanhado na Rava.
Como mudou o risco-país da Argentina em 2026
| Data | Risco-país | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|---|
| Fim de janeiro | Abaixo de 500 pontos | Primeira vez abaixo de 500 desde 2018 | Diario de Cuyo |
| Junho | Cerca de 430, por momentos abaixo de 400 | Menor nível desde 2018, após a S&P elevar a nota de CCC+ para B- | El Economista |
| 2 de outubro | 655 pontos | Máxima recente | Agencia Nova |
| 6 de outubro | 573 pontos | Ponto de partida da última alta | Agencia Nova |
| 15 de outubro | 640 pontos | Títulos em dólares caem 0,7% em média | Infobae |
| 16 de outubro | 648 pontos | Sobe mais de 4% no dia; títulos caem 1,5% | Agencia Nova |
Segundo o El Economista, em junho a S&P elevou a nota soberana de CCC+ para B-, depois de uma melhora da Fitch em maio, e o risco-país tocou níveis que não se viam desde 2018. A partir de meados de julho, a tendência se inverteu. O fechamento de 16 de outubro varia um pouco conforme a fonte: há veículos que informam 641 pontos no mesmo dia, porque usam cálculos próprios e não o índice oficial do JP Morgan.

Por que sobe o risco-país da Argentina
Os analistas apontam uma mistura de fatores locais e externos:
- Eleições de 2027: a incerteza sobre a continuidade do programa econômico num cenário polarizado. "Essa incerteza gera volatilidade, esperamos que o risco-país volte a subir", disse Mariano Flores Vidal, da Hyperion, ao El Economista. Para ele, 600 pontos são um piso.
- Juros globais altos: o título do Tesouro americano de 10 anos passou de 5,3% e fechou a semana anterior em 5,2%, o que encarece a dívida de todos os emergentes.
- Fatores próprios da Argentina: segundo o Morgan Stanley, o rendimento dos títulos argentinos subiu cerca de 300 pontos-base entre meados de julho e o fim de setembro por prêmios de risco específicos do país, não por fraqueza geral dos emergentes.
- Atividade fraca: o FMI cortou para 2,1% a projeção de crescimento da Argentina em 2026, e Milei reconheceu dois trimestres seguidos de queda, embora tenha descartado que seja uma recessão, segundo o Infobae.
- Financiamento de 2027: Emiliano Anselmi, da PPI, advertiu que "o custo de financiamento soberano continua alto" e que o programa de financiamento para 2027 ainda tem desafios.
O que Milei disse sobre o risco-país
Em Washington, Milei afirmou que o indicador "segue caindo dia a dia", que estava "em torno de três mil pontos-base" quando assumiu e que o governo "vai honrar nossas dívidas a todo momento". Segundo o Infobae, naquele mesmo 15 de outubro o risco-país subia para 640 pontos, o maior nível desde 2 de outubro. A comparação com a chegada de Milei está correta como tendência: o risco-país está muito abaixo dos níveis de 2023. A afirmação de que cai dia a dia não coincide com os dados de outubro.

O que significa para as pessoas
| Efeito | Por que acontece |
|---|---|
| Crédito mais caro para empresas e províncias | As taxas em dólares de todos os emissores argentinos costumam ter a dívida soberana como referência |
| Mais difícil voltar a emitir dívida no exterior | Acima de 600 pontos, colocar títulos fica caro para o Tesouro |
| Pressão sobre as reservas | Sem financiamento, os vencimentos são pagos com dólares próprios; as reservas brutas passavam de US$ 50 bilhões, segundo a Agencia Nova |
| Sinal para os investidores | Um risco-país em alta costuma vir acompanhado de quedas em ações e títulos |
O Morgan Stanley mantém visão favorável sobre os títulos argentinos e espera queda de cerca de 100 pontos-base nos próximos meses, condicionada a dados melhores de consumo, atividade, inflação e salários reais. A evolução dos preços está em a inflação na Argentina ano a ano e o custo de vida em a cesta básica de setembro.
Perguntas frequentes
Quanto está o risco-país da Argentina hoje?
Fechou em 648 pontos na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, segundo o índice do JP Morgan divulgado pela Rava. Alguns veículos informam 641 com cálculos próprios.
O que significam 648 pontos de risco-país?
Que os títulos argentinos em dólares rendem 6,48 pontos percentuais mais que os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Qual foi a mínima de 2026?
Em junho ficou perto de 430 pontos, por momentos abaixo de 400, o menor nível desde 2018.
Quem calcula o risco-país?
O banco JP Morgan, com seu índice EMBI.
Por que sobe?
Pela incerteza das eleições de 2027, pelos juros altos nos Estados Unidos, pela atividade fraca e pelas dúvidas sobre o financiamento de 2027.



