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Atividade econômica na Argentina cai 1,7% em agosto, segundo o Indec: indústria e comércio, os mais atingidos

O EMAE do Indec caiu 1,7% na comparação anual em agosto de 2026, a maior queda do ano, e subiu só 0,1% ante julho. Quais setores caem, quais crescem e o que diz o FMI.

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Atividade econômica na Argentina cai 1,7% em agosto, segundo o Indec: indústria e comércio, os mais atingidos

Foto: Diego Delso, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

A atividade econômica da Argentina caiu 1,7% na comparação anual em agosto de 2026 e subiu apenas 0,1% ante julho na série com ajuste sazonal, segundo o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) que o [Indec](https://www.indec.gob.ar/uploads/informesdeprensa/emae_10_263A9DC1ED2B.pdf) publicou na quarta-feira, 21 de outubro. É a segunda queda anual seguida e a mais forte do ano, segundo a Rankia; o acumulado de janeiro a agosto segue positivo, com 1,2%.

O dado confirma que a economia não se recuperou depois do tombo de julho, quando a atividade caiu 2,8% na comparação mensal. Estes são os números do relatório e o que significam.

A atividade econômica na Argentina, mês a mês

MêsVariação anualVariação mensal com ajuste sazonalAcumulado do ano
Agosto de 20252,1%0,7%5,3%
Dezembro de 20253,5%2,0%4,5%
Janeiro de 20262,0%-0,1%2,0%
Fevereiro de 2026-1,5%-2,0%0,3%
Março de 20266,5%2,7%2,4%
Abril de 20262,2%-1,4%2,3%
Maio de 20260,7%-0,6%2,0%
Junho de 20263,1%0,3%2,2%
Julho de 2026-1,5%-2,8%1,7%
Agosto de 2026-1,7%0,1%1,2%

Fonte: quadro 1 do relatório técnico do EMAE de agosto de 2026, Indec. Julho foi revisado para -1,5% na comparação anual. A tendência-ciclo, que suaviza as oscilações, não registrou variação em agosto ante julho: a economia está estagnada.

Quais setores caem e quais crescem

Cinco setores cresceram em agosto ante 2025 e dez caíram. Os que mais pesaram foram a indústria de transformação (-3,2%) e o comércio (-3,5%), que juntos tiraram 0,9 ponto percentual da variação do EMAE. Do lado positivo, mineração, energia e hotéis e restaurantes somaram 0,6 ponto.

SetorVariação anual em agosto de 2026
Exploração de minas e pedreiras+11,1%
Eletricidade, gás e água+4,3%
Hotéis e restaurantes+3,1%
Serviços sociais e de saúde+0,6%
Atividades imobiliárias, empresariais e de aluguel+0,4%
Ensino-0,3%
Outros serviços comunitários-0,6%
Agropecuária, caça e silvicultura-1,0%
Administração pública e defesa-1,6%
Construção-2,5%
Transporte e comunicações-2,9%
Indústria de transformação-3,2%
Comércio atacadista, varejista e reparações-3,5%
Intermediação financeira-3,8%
Pesca-15,7%

Fonte: quadro 4 do EMAE, Indec. Os impostos líquidos de subsídios, que também fazem parte do índice, caíram 4,2%.

Fachada traseira da fábrica IMPA vista dos trilhos da ferrovia Sarmiento, em Buenos Aires
Uma fábrica em Buenos Aires. A indústria caiu 3,2% na comparação anual em agosto. Foto: Banfield, CC BY-SA 2.5 ar, Wikimedia Commons.

Por que a atividade econômica na Argentina perde força

A queda chega em um contexto financeiro tenso. O risco-país voltou a superar 700 pontos nesta semana, com quedas de até 8% nos títulos soberanos em dólares, segundo o Ámbito; para entender esse indicador, veja o que é o risco-país. O câmbio também está em debate (veja o dólar hoje na Argentina).

A mineração e a energia, impulsionadas pelo petróleo e o gás de Vaca Muerta e pelo lítio, seguem crescendo a dois dígitos, mas pesam menos no PIB que a indústria e o comércio, que dependem do consumo interno. Com salários atrás da inflação, o consumo segue fraco: o salário mínimo e a cesta básica mostram essa distância.

Pedestres e lojas na rua Florida, no centro de Buenos Aires
A rua Florida, em Buenos Aires. O comércio foi o setor que mais pesou no EMAE. Foto: Christian Córdova, CC BY 2.0, Wikimedia Commons.

A atividade econômica na Argentina por setor desde 2023

Setor (variação anual em agosto)2023202420252026
Indústria de transformação-2,8%-6,4%-4,6%-3,2%
Comércio1,1%-6,6%-3,0%-3,5%
Construção2,0%-16,6%-0,7%-2,5%
Exploração de minas e pedreiras7,0%6,5%9,4%11,1%
Hotéis e restaurantes7,8%9,3%8,2%3,1%

Fonte: quadro 4 do EMAE, Indec. A série mostra duas economias: mineração e energia crescem em todos os agostos, enquanto a indústria caiu nos quatro agostos da série. A construção, que desabou em 2024, não se recuperou. Esse padrão ajuda a entender por que o consumo e o emprego não acompanham o bom momento do petróleo e da mineração.

O que o FMI espera para a economia argentina

Projeção do FMI (outubro de 2026)Argentina
Crescimento do PIB em 20254,5%
Crescimento projetado em 20262,1% (antes 3,5%)
Crescimento projetado em 20273,5%
Inflação média projetada em 202632,5%
Posição no ranking de 36 economias das Américas em 202623ª

Fonte: Perspectivas da Economia Mundial do FMI, segundo o Infobae. O corte de 1,4 ponto para 2026 foi o segundo maior da região, depois do Chile. Para ver como a Argentina fica ante os vizinhos, confira o ranking de crescimento econômico na América Latina. Com acumulado de 1,2% até agosto, chegar a 2,1% no ano exige uma recuperação no último trimestre.

O próximo EMAE, com os dados de setembro, será publicado em 24 de novembro, segundo o calendário do Indec. A atividade será tema central da campanha rumo às eleições presidenciais de 2027.

Perguntas frequentes

Quanto caiu a atividade econômica em agosto de 2026?

1,7% na comparação anual, segundo o EMAE do Indec. Ante julho, subiu 0,1% na série com ajuste sazonal.

Quais setores cresceram?

Mineração (+11,1%), eletricidade, gás e água (+4,3%), hotéis e restaurantes (+3,1%), serviços de saúde (+0,6%) e imobiliárias (+0,4%).

Quais setores mais caíram?

Pesca (-15,7%), intermediação financeira (-3,8%), comércio (-3,5%) e indústria (-3,2%).

A Argentina está em recessão?

Há dois meses seguidos de queda anual e a tendência-ciclo está estável. O acumulado do ano ainda é positivo (1,2%), então não há queda anual.

Quando sai o próximo EMAE?

Em 24 de novembro de 2026, com os dados de setembro.