O dólar oficial abre a semana a 1.535 pesos argentinos para venda no Banco Nación e o dólar blue (paralelo) a 1.555 pesos, segundo as cotações publicadas pelo [Perfil](https://perfil.com/noticias/economia/a-cuanto-cotiza-el-dolar-blue-hoy-lunes-19-de-octubre-a50-bgd.phtml) logo cedo na segunda-feira, 19 de outubro de 2026. A diferença entre o oficial e o "contado con liquidación" gira em torno de 5%, em meio a um debate aberto dentro do próprio governo sobre se o peso está forte demais.
O economista Alberto Ades expôs ao gabinete que o câmbio está 29% abaixo da média dos últimos 23 anos, segundo a Infobae. A equipe econômica descarta desvalorizar. Veja todas as cotações do dia e os pontos-chave do debate.
Cotação do dólar hoje na Argentina
| Tipo de dólar | Compra | Venda |
|---|---|---|
| Oficial (Banco Nación) | 1.485,00 | 1.535,00 |
| Blue (paralelo) | 1.535 | 1.555 |
| MEP | 1.535,80 | 1.537,00 |
| Contado con liquidación (CCL) | 1.620,50 | 1.621,20 |
| Cripto | 1.620,38 | 1.622,12 |
| Cartão | — | 1.995,50 |
Os valores, em pesos argentinos, são os de abertura informados pelo Perfil às 7h de segunda-feira e mudam ao longo do dia. O Banco Nación publica a cotação oficial no varejo e o Banco Central a do atacado. O dólar cartão inclui as retenções de impostos cobradas nas compras em moeda estrangeira.
Para que serve cada cotação
- Oficial: o preço pelo qual os bancos vendem dólares a pessoas físicas, com o Banco Nación como referência.
- Blue: o dólar do mercado informal, em casas de câmbio não autorizadas.
- MEP: obtido comprando e vendendo títulos em pesos e em dólares dentro do país; é legal.
- Contado con liquidación (CCL): semelhante ao MEP, mas os dólares ficam em uma conta no exterior; usado sobretudo por empresas.
- Cartão: o oficial mais as retenções de impostos nas compras no exterior.
Que o blue, o MEP e o oficial estejam a menos de 2% de distância é sinal de calma cambial: em outros momentos a diferença passou de 100%.
Por que se fala em atraso cambial do dólar na Argentina
O debate foi aberto pelo próprio presidente Javier Milei, que convidou Alberto Ades, ex-economista-chefe do Goldman Sachs, a falar ao gabinete. Segundo a Infobae, Ades advertiu: "O câmbio está 29% abaixo da média dos últimos 23 anos". Afirmou também que o nível atual "deverá ser validado" e que a situação é diferente da de 2017 porque hoje o país tem superávit comercial e conta corrente positiva.
A equipe econômica fechou a porta para uma desvalorização. "Por que precisaríamos de um dólar mais alto se este ano teremos recorde histórico de exportações?", é o argumento que repetem, segundo a Infobae. O vice-ministro José Luis Daza disse que ninguém pode saber qual é o câmbio real de equilíbrio, "simplesmente porque é impossível saber".
| Argumento | Quem o defende |
|---|---|
| O dólar está 29% abaixo da média de 23 anos | Alberto Ades, ao gabinete |
| Não é preciso desvalorizar: haverá recorde de exportações | Equipe econômica |
| O câmbio de equilíbrio é impossível de conhecer | José Luis Daza, vice-ministro da Economia |
| O real brasileiro se valorizou de 6 para menos de 5 por dólar | Contexto citado pela Infobae |

O dólar na Argentina e a economia real
O peso forte convive com uma economia que esfria. A Infobae descreve uma "recessão técnica" após dois trimestres seguidos de queda, enquanto o Chequeado aponta que, com os dados oficiais disponíveis, o PIB caiu 0,6% no segundo trimestre e uma nova queda no terceiro é possível, mas não confirmada. A inflação na Cidade de Buenos Aires foi de 1,8% em setembro; a nacional, medida pelo INDEC, é analisada em nossa série de inflação desde 1998.
Para o fim do ano, o BBVA Research projeta um dólar oficial de 1.630 pesos, segundo seu relatório de outubro. Isso implicaria alta de pouco mais de 6% em relação aos 1.535 de hoje (cálculo próprio).
Quantas reservas o governo tem
O Banco Central vem comprando dólares no mercado. A Infobae informou em 11 de outubro que as compras somavam cerca de US$ 15 bilhões e, em 17 de outubro, que passavam de US$ 17 bilhões em 2026. Os números diferem pela data de corte de cada nota. Ainda assim, as reservas "líquidas" seguem longe dos US$ 29 bilhões em vencimentos de dívida que o Banco Central e o Tesouro precisam pagar no próximo ano, segundo a Infobae.
O ministro Luis Caputo disse que o governo pode usar "se quiser" o swap de US$ 20 bilhões com o Tesouro dos Estados Unidos. É uma das quatro partes da "bazuca" de dólares que Milei calculou em US$ 75 bilhões em 27 de setembro (e depois elevou para US$ 125 bilhões): reservas, swap com os EUA, swap com a China e posições em futuros. O risco-país segue acima de 600 pontos (veja o que é o risco-país).

O que observar nesta semana
- Diferença cambial: com o oficial a 1.535 e o CCL a 1.621, a diferença é de 5,6% (cálculo próprio). Uma diferença pequena reduz o incentivo de recorrer ao blue.
- Compras do Banco Central: o ritmo diário mostra quanto pode somar às reservas antes dos vencimentos de 2027.
- Dados de atividade: o estimador mensal de atividade do INDEC é chave para confirmar ou descartar a recessão técnica.
- Eleições de meio de mandato nos EUA (3 de novembro): podem influir no apoio financeiro do Tesouro americano.
Para entender como o câmbio afeta o bolso, veja a cesta básica de setembro e o salário mínimo mês a mês.
Perguntas frequentes
Quanto está o dólar blue hoje?
Na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, abriu a 1.535 pesos na compra e 1.555 na venda, segundo o Perfil.
Quanto está o dólar oficial hoje?
1.485 pesos na compra e 1.535 na venda no Banco Nación, na abertura de 19 de outubro.
O que é atraso cambial?
É quando o câmbio fica abaixo do que se considera seu nível de equilíbrio, o que barateia importar e encarece exportar. Alberto Ades estima que o atual está 29% abaixo da média de 23 anos.
O governo vai desvalorizar?
A equipe econômica descarta e argumenta que haverá recorde de exportações em 2026.



