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Senado do Peru aprova poderes legislativos para Keiko Fujimori: 35 votos e os 27 pontos

O plenário do Senado peruano aprovou em 21 de outubro, com 35 votos a favor, 18 contra e 6 abstenções, delegar ao Executivo poderes por 90 dias em segurança e El Niño. Os 27 pontos e como votou cada bancada.

· Atualizado em · Por , jornalista

Senado do Peru aprova poderes legislativos para Keiko Fujimori: 35 votos e os 27 pontos

Foto: Jonathan M. Corredor O., CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

O plenário do Senado do Peru aprovou na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, delegar ao governo de Keiko Fujimori o poder de legislar por 90 dias em segurança pública e prevenção do fenômeno El Niño, com 35 votos a favor, 18 contra e 6 abstenções, informou o [Canal N](https://canaln.pe/actualidad/camara-senadores-pleno-aprueba-delegacion-facultades-al-ejecutivo-27-materias-n495769). O texto aprovado tem 27 pontos: os 20 aprovados pela Câmara dos Deputados e 7 adicionados pela Comissão de Constituição. Com 59 senadores presentes, precisava de 31 votos.

A base governista, que soma 30 senadores, conseguiu a maioria com três votos do Obras e dois do Partido del Buen Gobierno, segundo a Exitosa. Juntos por el Perú e Ahora Nación votaram contra. "O que ficou claro é que não houve nenhum tipo de desnaturalização", disse o presidente do Senado, Miguel Torres, segundo a RPP.

O que o Senado do Peru está votando

O parecer delega ao Poder Executivo o poder de editar decretos legislativos por 90 dias em dois temas: segurança pública e prevenção dos efeitos do El Niño, segundo o Infobae. É a etapa final de um pedido que o governo de Keiko Fujimori apresentou em agosto com 66 pontos e 120 dias, e que a Câmara dos Deputados reduziu a 20 pontos em 6 de outubro (veja como o pedido travou no Senado).

EtapaDataConteúdo
Pedido do Executivo28 de agosto de 202666 pontos em 8 áreas, por 120 dias
Câmara dos Deputados6 de outubro de 202620 pontos em segurança e El Niño, por 90 dias (66 a favor, 35 contra, 24 abstenções segundo o Gestión)
Comissão de Constituição do Senado19 de outubro de 202627 pontos: os 20 dos Deputados mais 7 novos (7 a favor, 0 contra)
Plenário do Senado21 de outubro de 2026, a partir das 10h de LimaAprovado: 35 a favor, 18 contra e 6 abstenções

Fontes: Infobae, Infobae e La República. Os números da votação na Câmara variam levemente entre veículos: o Infobae informou 34 votos contra.

Os 7 pontos que o Senado acrescentou

A Comissão de Constituição, presidida por Carlos Mesía (Fuerza Popular), ampliou o texto dos Deputados. Seis dos novos pontos são de segurança pública e um de prevenção ao El Niño, segundo a RPP. Os descritos pela imprensa são:

Ponto acrescentado pela comissãoÁrea
Guarda militar dos presídiosSegurança
Atuação das Forças Armadas contra a insegurançaSegurança
Fortalecimento da Direção Nacional de Inteligência (DINI)Segurança
Disposições sobre legítima defesaSegurança
Vigilância após a prisão para certos crimesSegurança
Simplificação de trâmites para obras de infraestruturaEl Niño (prevenção)

Fontes: Infobae e La República. Nenhuma das notas consultadas detalha o sétimo ponto. Alguns desses temas, como a ampliação da legítima defesa, tinham sido excluídos pelos Deputados, o que explica a irritação da oposição.

Fachada do Palácio Legislativo do Congresso da República do Peru, em Lima
O Palácio Legislativo, sede do Congresso bicameral do Peru. Foto: Herwarth Morales, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.

A contagem de votos no Senado do Peru

O Senado tem 60 membros e o parecer precisava de 31 votos, segundo o La República. Antes da votação, a base governista somava 30 e a oposição mais dura, 25, e os senadores do Obras, bancada de Ricardo Belmont, tinham a chave. Assim estava a contagem antes do plenário:

BancadaSenadoresPosição anunciada
Fuerza Popular22A favor do parecer de 27 pontos
Renovación Popular8A favor
Obras5 (deduzido)Próxima do governo: defende mais de 20 poderes, mas "não vamos ceder em tudo" (Belmont)
Ahora Nación, Juntos por el Perú e Partido del Buen Gobierno25Contra os 7 pontos acrescentados; alguns apoiam só os 20 dos Deputados

O La República havia calculado que, se o Obras se unisse à oposição, o resultado seria um empate de 30 a 30. Não aconteceu: três senadores do Obras votaram a favor e um se absteve, e o Partido del Buen Gobierno se dividiu, com dois votos a favor e cinco abstenções, segundo a Exitosa.

BancadaA favorContraAbstenção
Fuerza Popular2200
Renovación Popular800
Obras301
Partido del Buen Gobierno205
Juntos por el Perú0140
Ahora Nación040
Total35186

Fontes: Exitosa e Canal N. A Exitosa explica que os 35 votos a favor incluem o da Presidência do Senado. Votaram 59 dos 60 senadores.

O que dizem a favor e contra

  • Patricia Juárez (Fuerza Popular): "A segurança dos peruanos não pode esperar nem ser refém de cálculos políticos" (RPP).
  • Alejandro Aguinaga (base governista): "O país exige responsabilidade" da oposição.
  • Humberto Morales (Juntos por el Perú): a comissão "desnaturalizou" o que os Deputados aprovaram, e isso "antecipa como tratará o que os Deputados aprovarem nos próximos cinco anos".
  • Mirtha Vásquez (Ahora Nación): anunciou voto contra e criticou a "mudança de posições" do Obras.
  • Flavio Figallo (Partido del Buen Gobierno): propõe aprovar só os 20 pontos dos Deputados e tramitar o resto como projetos de lei.
Praça Maior de Lima com palmeiras e o Palácio do Governo ao fundo
A Praça Maior de Lima e o Palácio do Governo. Foto: YusmarBlanco, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.

O que acontece depois da votação dos poderes legislativos

O presidente da Comissão de Constituição, Carlos Mesía, rejeitou que o Senado tenha desnaturalizado o que os Deputados aprovaram: "O Senado não é uma caixa de correio; ele aprova, modifica e até rejeita", disse segundo a Exitosa. Como o Senado aprovou um texto diferente do dos Deputados, de 27 pontos, o autógrafo vai ao Executivo para promulgação com esse conteúdo: no Congresso bicameral, o Senado aprova ou modifica o que os Deputados enviam e remete o autógrafo ao presidente, segundo o portal La Cámara. O Juntos por el Perú apresentou um projeto para que os textos modificados voltem aos Deputados, mas ele segue em comissão (Panamericana). Depois de publicada a lei, o Executivo tem 90 dias para editar decretos legislativos, que o Congresso pode revisar. Antes da votação, o senador Hugo Ccahuana (Juntos por el Perú) havia anunciado uma questão de ordem para devolver o parecer à comissão, segundo o Infobae.

A urgência do governo está ligada ao El Niño. A comissão multissetorial ENFEN alerta que o El Niño costeiro pode atingir magnitude extraordinária até o início de 2027 (veja o que diz o ENFEN e quais regiões estão em risco). Em paralelo, o Executivo já aprovou uma norma que permite entregar ajuda humanitária sem esperar uma declaração de emergência e trabalha na limpeza de leitos de rios em 536 pontos críticos de Piura, Tumbes, Lambayeque e La Libertad, segundo o Infobae.

Por que importa para o governo de Keiko Fujimori

Era o primeiro grande teste da base governista no Senado criado em 2026, e chegou quando a aprovação da presidente está em queda (veja a pesquisa Ipsos que a coloca em 40%). A aprovação dos 27 pontos mostra que a Fuerza Popular e seus aliados podem impor sua agenda na câmara alta, embora tenham precisado dos votos do Obras e de parte do Partido del Buen Gobierno.

Perguntas frequentes

O que são poderes legislativos delegados?

É a autorização do Congresso para o Executivo editar decretos legislativos com força de lei sobre temas e prazo definidos. Neste caso, 90 dias em segurança pública e El Niño.

Quantos pontos tem o texto aprovado pelo Senado?

27: os 20 aprovados pela Câmara dos Deputados em 6 de outubro e 7 adicionados pela Comissão de Constituição em 19 de outubro.

Com quantos votos foi aprovado no Senado?

Com 35 votos a favor, 18 contra e 6 abstenções, em 21 de outubro de 2026. Eram necessários 31.

O que o Senado acrescentou?

Entre outros pontos, guarda militar dos presídios, atuação das Forças Armadas contra a insegurança, fortalecimento da DINI, mudanças na legítima defesa e vigilância após a prisão.

O que acontece agora?

O texto vai ao Executivo para promulgação. Depois de publicada a lei, o governo tem 90 dias para editar decretos legislativos nesses temas.