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Orçamento 2027 do Peru: S/ 266,506 bilhões e os pontos que dividem o MEF e o Congresso

O Congresso do Peru debate o Orçamento 2027 de S/ 266,506 bilhões. A comissão já aprovou as leis de Endividamento e Equilíbrio Financeiro, mas cinco dispositivos, entre eles os royalties da mineração e 26 universidades novas, seguem sem acordo com o MEF.

· Por , jornalista

Orçamento 2027 do Peru: S/ 266,506 bilhões e os pontos que dividem o MEF e o Congresso

Foto: GORE Callao, Public domain, Wikimedia Commons

O Orçamento 2027 do Peru soma S/ 266,506 bilhões, 3,5% a mais que o orçamento inicial de 2026, e entrou na reta final no Congresso. Em 2 de novembro, a Comissão Bicameral de Orçamento aprovou os pareceres das leis de Endividamento e de Equilíbrio Financeiro para 2027, mas deixou pendente a lei principal: dos seus 138 dispositivos, 133 têm consenso técnico com o Ministério da Economia e Finanças (MEF) e 5 seguem em disputa, segundo o La República e a RPP.

O debate continuou em 3 de novembro com o ministro da Economia, Elmer Cuba, e a comissão entrou em recesso até quinta-feira, 5 de novembro, às 17h, informou o El Comercio. É o primeiro orçamento do governo de Keiko Fujimori e o primeiro tramitado pelo novo Congresso bicameral.

Quanto soma o Orçamento 2027 do Peru

O projeto de lei do MEF divide o gasto entre o governo nacional, os governos regionais e os locais. Segundo o Gestión, o orçamento inicial (PIA) de 2026 foi de S/ 257.561,6 milhões, de modo que o aumento é de S/ 8.944,7 milhões.

Orçamento 2027 do Peru: os números-chave (milhões de soles)

S/ 266.506

Orçamento total 2027

3,5% acima do PIA 2026

S/ 166.613

Governo nacional

ministérios e órgãos

S/ 58.672

Governos regionais

25 regiões

S/ 41.222

Governos locais

municípios

Fonte: MEF, projeto de Lei de Orçamento 2027; La República e Gestión.

Ver os dados em uma tabela
Orçamento total 2027S/ 266.506 · 3,5% acima do PIA 2026
Governo nacionalS/ 166.613 · ministérios e órgãos
Governos regionaisS/ 58.672 · 25 regiões
Governos locaisS/ 41.222 · municípios
Nível de governoOrçamento 2027 (S/ milhões)Participação
Governo nacional166.61362,5%
Governos regionais58.67222,0%
Governos locais41.22215,5%
Total266.506100%

Participação calculada pela Vivarae News com os números do MEF. O El Comercio informou que os recursos de regiões e municípios sobem 4,9% e chegam a 37,5% do total (El Comercio).

Onde o dinheiro é gasto: as funções com mais orçamento

FunçãoPIA 2026 (S/ milhões)Projeto 2027 (S/ milhões)Variação
Educação48.70849.068+0,7%
Planejamento, gestão e reserva de contingência30.08036.997+23,0%
Saúde32.88832.208−2,1%
Dívida pública32.38630.921−4,5%
Transporte22.32526.014+16,5%
Ordem pública e segurança15.85815.338−3,3%
Proteção social10.68912.493+16,9%

Fonte: MEF, via Gestión; variações calculadas pela Vivarae News. Saúde e ordem pública têm menos recursos iniciais que em 2026, embora o governo diga que a segurança é prioridade; o El Comercio destaca mais de S/ 15 bilhões para patrulhamento e operações da Polícia Nacional.

Letreiro do edifício do Ministério da Economia e Finanças do Peru em Lima
A sede do Ministério da Economia e Finanças em Lima. Foto: Carlos Conislla, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.

Os cinco pontos do Orçamento 2027 que dividem o MEF e o Congresso

Segundo a RPP, as divergências se concentram em dispositivos que ampliariam o gasto corrente ou comprometeriam recursos em anos futuros:

  • Royalties da mineração nas universidades (artigo 82): o Congresso quer que as universidades públicas usem canon, sobrecanon, royalties e outros recursos para despesas operacionais, como manutenção, licenças ou pesquisa. O MEF quer manter a restrição a investimento e lembra que esses fundos não podem pagar salários.
  • 26 universidades novas (artigo 87): autoriza o MEF a financiar a implantação de 26 universidades públicas criadas por lei do Congresso. O MEF teme compromissos permanentes de pessoal e infraestrutura. O mesmo artigo fixa uma moratória em 2027 para criar novas universidades, com exceções.
  • Transferências na Prefeitura de Lima: permite que empresas e órgãos municipais transfiram recursos à administração central. O MEF pede salvaguardas para não desfinanciar seus serviços.
  • Limites às modificações orçamentárias: duas normas restringem mover recursos de investimento para folha de pagamento ou outros gastos correntes. Governos regionais e outras entidades pedem mais flexibilidade.

"Meu dever é manter o equilíbrio fiscal", disse Cuba diante da comissão, acrescentando que não é possível incorporar todos os projetos pedidos pelos parlamentares porque "os recursos são escassos", segundo o El Comercio.

O que é o canon mineiro e por que pesa no Orçamento 2027

O canon mineiro é a parte do imposto de renda paga pelas mineradoras que a lei reparte entre governos regionais, municípios e universidades públicas das zonas produtoras. Por norma, esses fundos devem ir para investimento, não para gasto corrente nem salários. Com preços altos do cobre e do ouro, as transferências do canon crescem, e por isso regiões e universidades pressionam para usá-las com mais liberdade.

O MEF sustenta que abrir o canon a despesas operacionais cria compromissos insustentáveis quando os preços dos metais caem, enquanto os parlamentares argumentam que as universidades têm fundos parados porque não podem gastá-los no que precisam, segundo a RPP.

Endividamento e equilíbrio financeiro já aprovados na comissão

LeiConteúdo principalVotação na comissão (2 de novembro)
Endividamento 2027Até US$ 2,8 bilhões e S/ 19,183 bilhões; títulos soberanos de até S/ 17,221 bilhões; 67,2% em soles23 a favor, 0 contra e 12 abstenções
Equilíbrio Financeiro 2027Receitas e gastos de S/ 266,506 bilhões; 90,8% com receitas fiscais e 9,2% com endividamento25 a favor, 0 contra e 10 abstenções

Fonte: La República e El Peruano. O El Comercio informou outra votação (23 a favor e 2 abstenções), de modo que os números exatos não coincidem entre os veículos. Segundo o La República, o endividamento previsto cai 23,4% em relação a 2026, e a bancada Juntos por el Perú se absteve alegando falta de informação sobre isenções tributárias que superam S/ 24 bilhões.

Plaza de Armas de Lima ao entardecer com o Palácio do Governo
A Plaza de Armas de Lima. O Orçamento 2027 é o primeiro do governo de Keiko Fujimori. Foto: robertluna3, CC BY 2.0, Wikimedia Commons.

O que vem agora: o prazo de 30 de novembro

Depois da comissão, o orçamento vai ao plenário. O artigo 80 da Constituição estabelece que, se o autógrafo da lei não for enviado ao Executivo até 30 de novembro, entra em vigor o projeto do Executivo, promulgado por decreto legislativo. Por isso o Congresso costuma votar na última semana de novembro. Neste ano, pela primeira vez, a tramitação passa pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

O orçamento chega com pressão sobre os preços: a inflação de Lima subiu para 5,25% em outubro, e o governo também tramita gasto extra para este ano, como o crédito suplementar de S/ 8,228 bilhões.

DataEtapa do Orçamento 2027
Fim de agosto de 2026O Executivo apresenta o projeto ao Congresso
2 de novembroA Comissão Bicameral aprova os pareceres de Endividamento e Equilíbrio Financeiro
3 de novembroDebate com o ministro Elmer Cuba; recesso
5 de novembro, 17hA sessão da comissão é retomada
30 de novembroPrazo constitucional para enviar o autógrafo ao Executivo

Fontes: Gestión, La República, El Comercio e a Constituição do Peru.

Perguntas frequentes

Quanto é o Orçamento 2027 do Peru?

S/ 266,506 bilhões, 3,5% a mais que o orçamento inicial de 2026, segundo o projeto do MEF.

O Orçamento 2027 já foi aprovado?

Não. Até 4 de novembro a comissão havia aprovado as leis de Endividamento e Equilíbrio Financeiro, mas a lei do orçamento segue em debate; a sessão é retomada em 5 de novembro.

Qual é o prazo para aprová-lo?

30 de novembro. Se o Congresso não enviar a lei ao Executivo até essa data, vale o projeto do Executivo por decreto legislativo, segundo o artigo 80 da Constituição.

Qual setor recebe mais dinheiro?

Educação, com S/ 49,068 bilhões, seguida de planejamento e reserva de contingência, saúde e dívida pública.

Por que o MEF e o Congresso discutem?

Por cinco dispositivos: o uso do canon nas universidades, o financiamento de 26 universidades novas, transferências na Prefeitura de Lima e dois limites para mover fundos de investimento para gasto corrente.