A inflação de Lima Metropolitana subiu para 5,25% nos doze meses até outubro de 2026, depois que o índice de preços ao consumidor (IPC) aumentou 0,57% no mês, informou o Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI) do Peru em 1º de novembro. É o nível mais alto em 38 meses, segundo o Infobae, e está acima da faixa-meta do Banco Central de Reserva do Peru (BCRP), de 1% a 3%.
No acumulado do ano, os preços de Lima sobem 4,88%. Em nível nacional, o IPC subiu 0,56% em outubro, com variação acumulada de 4,60% e anual de 4,83%, e as 26 cidades medidas pelo INEI registraram altas.
A inflação em Lima em outubro de 2026, em números
| Mês de 2026 | Variação mensal | Acumulada no ano | Últimos 12 meses | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Abril | 0,52% | 3,72% | 4,01% | INEI |
| Maio | −0,16% | 3,56% | 3,91% | INEI |
| Junho | 0,23% | 3,79% | 4,01% | INEI |
| Julho | 0,29% | 4,09% | 4,07% | INEI |
| Agosto | 0,07% | 4,16% | 4,44% | INEI |
| Setembro | 0,12% | 4,28% | 4,55% | INEI |
| Outubro | 0,57% | 4,88% | 5,25% | INEI |
Para dimensionar o salto: em todo o ano de 2025 os preços de Lima subiram 1,51%, segundo o INEI. A alta de outubro supera a dos seis meses anteriores e a de outubro dos últimos quatro anos: 0,35% em 2022, −0,32% em 2023, −0,09% em 2024 e −0,10% em 2025. No ano, só março (2,38%, pela emergência do gás de Camisea) e fevereiro (0,69%) foram maiores, segundo o Infobae.
O que mais subiu em Lima: milho, peixe e passagens
O INEI atribui a alta principalmente a Alimentos e bebidas não alcoólicas, que subiram 1,62%, puxados por peixes e frutos do mar (11,7%) e hortaliças, legumes e tubérculos (8,2%). Também pesaram os transportes, por passagens aéreas e combustíveis, e o gás doméstico e a eletricidade, pela nova tabela tarifária em vigor desde 4 de outubro. Dos 586 produtos da cesta, 309 subiram, 113 caíram e 164 não mudaram.
| Produto | Variação em outubro |
|---|---|
| Milho verde (choclo) | +45,29% |
| Bonito | +26,90% |
| Cenoura | +24,56% |
| Ervilha verde | +24,31% |
| Cavala | +17,48% |
| Batata colorida | +14,38% |
| Olluco | +13,87% |
| Batata amarela | +13,54% |
Fonte: INEI. Caíram, por outro lado, a maçã israelense (−10,65%), o pepino (−9,79%), a manga (−7,72%), o tomate (−6,80%) e os ovos de galinha (−5,34%), além do frango eviscerado (−1,5%).

| Divisão de consumo (Lima) | Variação em outubro |
|---|---|
| Alimentos e bebidas não alcoólicas | 1,62% |
| Transporte | 0,77% |
| Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis | 0,39% |
| Móveis e artigos para o lar | 0,36% |
| Bens e serviços diversos | 0,29% |
| Restaurantes e hotéis | 0,22% |
| Educação | 0,09% |
| Saúde | 0,00% |
| Comunicações | −1,38% |
Fonte: INEI. Em transporte destacam-se as passagens aéreas (+4,2%) e os combustíveis (+3,6%), entre eles o GLP veicular (+5,8%), o gasohol (+3,8%) e o diesel (+1,7%).
A inflação nacional no Peru: 0,56% em outubro
Fora da capital, o padrão foi parecido. O IPC nacional, que o INEI calcula com 26 cidades, subiu 0,56% em outubro e 4,83% em doze meses. Alimentos e bebidas não alcoólicas foi a divisão com maior alta (1,49%), seguida de Transporte (0,89%) e de Habitação, água, eletricidade e gás (0,42%). Comunicações foi a única que caiu (−1,67%).
| Divisão de consumo (nacional) | Variação em outubro |
|---|---|
| Alimentos e bebidas não alcoólicas | 1,49% |
| Transporte | 0,89% |
| Habitação, água, eletricidade e gás | 0,42% |
| Bebidas alcoólicas e tabaco | 0,30% |
| Restaurantes e hotéis | 0,28% |
| Móveis e artigos para o lar | 0,27% |
| Bens e serviços diversos | 0,23% |
| Saúde | 0,03% |
| Comunicações | −1,67% |
Fonte: INEI. Os preços no atacado subiram 0,74% no mês, puxados por produtos agropecuários como ervilha verde, cenoura, cebola e batata, e pelo óleo combustível industrial e vergalhões. Esse indicador costuma antecipar pressões que depois chegam ao consumidor. Os preços de máquinas e equipamentos subiram 1,47% e os de materiais de construção em Lima, 0,13%.

Inflação subjacente em Lima e o que vem para o BCRP
A inflação sem alimentos e energia, que o INEI chama de subjacente, subiu apenas 0,16% em outubro. Isso indica que o salto responde sobretudo a choques de oferta em produtos frescos, combustíveis e energia, e não a uma pressão generalizada, leitura compartilhada pelo BCRP, segundo o Infobae.
O BCRP mantém sua taxa de referência em 4,25% desde setembro de 2025, e seu Relatório de Inflação de setembro projetava 4,2% para dezembro, número que outubro já superou em 1,05 ponto. A instituição espera que a inflação volte gradualmente a 2% em 2027, mas alerta que o fenômeno El Niño e as tensões no Oriente Médio podem pressionar alimentos, energia e transporte. A diretoria, que será presidida por Julio Velarde em seu quinto mandato, deverá decidir se sobe os juros (veja a nota A+ de Velarde na Global Finance e as taxas dos bancos centrais da região).
| Cidades com mais inflação em outubro | Variação | Cidades com menos | Variação |
|---|---|---|---|
| Huancavelica | 1,03% | Pucallpa | 0,07% |
| Cerro de Pasco | 0,96% | Tumbes | 0,10% |
| Puerto Maldonado | 0,92% | Tacna | 0,15% |
| Puno | 0,78% | Chachapoyas | 0,25% |
| Huaraz | 0,77% | Huánuco | 0,26% |
Fonte: INEI. Com preços subindo mais que a meta, a inflação também pesa na renda: o salário mínimo no Peru e a gratificação de dezembro perdem poder de compra se os preços continuarem subindo. A comparação com o resto da região está no ranking de inflação da América Latina.
Perguntas frequentes
Qual foi a inflação em Lima em outubro de 2026?
O IPC de Lima Metropolitana subiu 0,57% em outubro; a inflação em doze meses chegou a 5,25% e a acumulada no ano a 4,88%, segundo o INEI.
Qual foi a inflação nacional no Peru em outubro?
O IPC nacional subiu 0,56% em outubro, com 4,60% acumulados no ano e 4,83% em doze meses.
Qual produto mais subiu em outubro?
O milho verde (choclo), com alta de 45,29%, seguido do bonito (26,90%) e da cenoura (24,56%).
Qual é a meta de inflação do BCRP?
Uma faixa de 1% a 3% ao ano. Com 5,25%, a inflação de Lima está mais de dois pontos acima do teto.



