Julio Velarde, presidente do Banco Central de Reserva do Peru (BCRP), obteve a nota máxima, A+, nos Central Banker Report Cards 2026 da revista americana Global Finance. Ele divide a nota com o presidente do banco central da Dinamarca, Christian Kettel Thomsen, segundo o Gestión e a RPP. É a segunda vez que Velarde recebe a nota mais alta: a primeira foi em 2021, segundo a RPP.
O reconhecimento foi anunciado durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, realizadas este ano em Bangkok, na Tailândia. Esta reportagem explica o que o ranking mede, quais outros banqueiros centrais da América Latina se destacaram e qual é a situação da inflação e dos juros no Peru.
O que avalia o ranking de banqueiros centrais da Global Finance
A Global Finance publica as notas todos os anos desde 1994. Avalia os presidentes dos bancos centrais de quase 100 países, territórios e distritos, além do Banco Central Europeu, do Banco Central do Caribe Oriental e dos bancos centrais dos Estados da África Central e Ocidental, segundo o comunicado da revista.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Escala | De A+ (excelente) a F (fracasso) |
| Critérios | Controle da inflação, metas de crescimento econômico, estabilidade da moeda, gestão dos juros e independência política |
| Cobertura | Quase 100 países, territórios e distritos, mais 4 bancos centrais regionais |
| Publicação | Anual desde 1994; lista completa na edição de outubro |
| Notas A+ em 2026 | Julio Velarde (Peru) e Christian Kettel Thomsen (Dinamarca) |
Fontes: Global Finance e Gestión. "Os presidentes de bancos centrais com nota A são líderes que demonstraram a disciplina, a independência e o bom critério necessários para garantir a estabilidade", disse Joseph Giarraputo, fundador e diretor editorial da Global Finance.

As notas dos banqueiros centrais da América Latina em 2026
A Global Finance não publicou a lista completa de notas em seu site aberto. Com as informações disponíveis, estes são os presidentes de bancos centrais da região que a imprensa de cada país informou entre os mais bem avaliados de 2026:
| País | Presidente do banco central | Nota 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|
| Peru | Julio Velarde | A+ | Gestión e RPP |
| República Dominicana | Héctor Valdez Albizu | A− | Hoy (Santo Domingo) |
| Paraguai | Carlos Carvallo | Grupo A (nota exata não informada) | La Nación (Assunção) |
| Chile | Rosanna Costa | Destacada (nota não informada) | Hoy (Santo Domingo) |
| Costa Rica | Róger Madrigal | Destacado (nota não informada) | Hoy (Santo Domingo) |
| Guatemala | Álvaro González | Destacado (nota não informada) | Hoy (Santo Domingo) |
| Argentina | Santiago Bausili | Destacado (nota não informada) | Hoy (Santo Domingo) |
Fontes: Gestión, Hoy e La Nación do Paraguai. O jornal dominicano Hoy cita esses presidentes como reconhecidos, mas não detalha a nota de cada um, e a Global Finance só publicou em aberto o comunicado geral. Por isso, a tabela não atribui notas que não puderam ser confirmadas. Esta lista será atualizada quando a revista publicar as notas completas da região.
Quem é Julio Velarde e há quanto tempo está no BCRP
- No cargo desde 2006: assumiu a presidência do BCRP no segundo governo de Alan García (Gestión).
- Ratificado por cinco governos: Alan García (2006), Ollanta Humala (2011), Pedro Pablo Kuczynski (2016), Pedro Castillo (2021) e Keiko Fujimori (2026), desta última vez pela Resolução Suprema nº 258-2026-PCM.
- Outros prêmios: a revista The Banker, do grupo Financial Times, o elegeu Banqueiro Central do Ano no mundo em 2015 e das Américas em 2020 (RPP).
- Discurso: defende a autonomia do Banco Central e pede uma administração pública "menos clientelista e mais meritocrática".

Como está a economia do Peru sob Velarde
Dias antes de a nota ser divulgada, Velarde participou em Nova York de uma conversa com Luis Oganes, chefe de pesquisa macroeconômica global do J.P. Morgan. Ali destacou a autonomia do Banco Central, a estabilidade monetária e as reservas internacionais. "Estamos vivendo um momento muito bom para a economia peruana, um momento que não deve ser desperdiçado", disse, embora tenha pedido atenção aos riscos internos e externos, segundo o Infobae.
| Indicador | Dado | Período |
|---|---|---|
| Crescimento do PIB | 3,1% | Janeiro-agosto de 2026 |
| Crescimento estimado sem El Niño | 4% | Janeiro-agosto de 2026 |
| Demanda interna | +5,9% | Primeiro semestre de 2026 |
| Investimento privado | +15,5% | Primeiro semestre de 2026 |
| Reservas internacionais | Cerca de 26% do PIB | Setembro de 2026 |
Fonte: ministro da Economia e Finanças, Elmer Cuba, e BCRP, citados pelo Infobae. Velarde também ressaltou que o Peru tem uma das inflações mais baixas da região neste século e citou, entre as condições para investir, o tratamento igualitário ao capital nacional e estrangeiro e a rede de acordos comerciais do país.
Inflação e juros no Peru: o contexto da nota de Velarde
A nota chega em um ano de pressão sobre os preços. A inflação da Lima Metropolitana chegou a 4,55% em doze meses em setembro, acima da faixa de meta do BCRP, de 1% a 3%, segundo dados do INEI citados pelo Infobae. O fenômeno El Niño encarece alimentos e serviços, e Velarde advertiu que "agora, o El Niño está preocupando", segundo o Gestión.
| País | Taxa de política monetária (27-out-2026) |
|---|---|
| Peru | 4,25% |
| Chile | 4,50% |
| México | 6,50% |
| Brasil | 13,75% |
Fonte: Banco de Compensações Internacionais (BIS), série de taxas de política monetária, consultada em 30 de outubro de 2026. Segundo o BCRP, citado pelo Infobae, as reservas internacionais do Peru equivaliam a cerca de 26% do PIB em setembro, a maior proporção da América Latina. A comparação completa de juros está no ranking de taxas de juros da América Latina, e a inflação por país no ranking de inflação da região.
O cenário do El Niño está resumido na reportagem sobre o El Niño costeiro e as regiões em risco, e o salário da presidente em quanto ganha a presidente do Peru.
Perguntas frequentes
Que nota Julio Velarde recebeu em 2026?
A+, a máxima dos Central Banker Report Cards 2026 da Global Finance. Ele a divide com o presidente do banco central da Dinamarca.
É a primeira vez que Velarde recebe A+?
Não. É a segunda; a primeira foi em 2021, segundo a RPP.
O que a Global Finance avalia?
Controle da inflação, metas de crescimento, estabilidade da moeda, gestão dos juros e independência política, em uma escala de A+ a F.
Desde quando Velarde preside o BCRP?
Desde 2006. Foi ratificado pela última vez em 2026 pelo governo de Keiko Fujimori.
Qual é a taxa de referência do BCRP?
4,25% em 27 de outubro de 2026, segundo o Banco de Compensações Internacionais.



