A presidente do Peru, Keiko Fujimori, afirmou em 30 de outubro que duas megaprisões inspiradas no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) de El Salvador poderiam ser construídas no país em cerca de sete meses, o mesmo prazo em que a prisão salvadorenha foi erguida. "Vai depender muito da decisão política e dos orçamentos, que já estão programados para o próximo ano", disse em San Salvador, segundo a RPP, que citou a agência EFE.
O anúncio encerrou uma visita oficial de três dias a El Salvador (29 a 31 de outubro), na qual Fujimori percorreu o CECOT, reuniu-se com o presidente Nayib Bukele e assinou acordos de cooperação em segurança, justiça, saúde e turismo. A agenda da viagem havia sido anunciada dias antes, como contamos na matéria sobre a viagem de Keiko Fujimori a El Salvador.
O que Keiko Fujimori anunciou sobre as megaprisões
Após a reunião com Bukele, a mandatária detalhou o plano penitenciário em declaração divulgada pela Presidência do Peru: "O Peru tem várias prisões por concluir e iniciaremos mais duas. Uma para internos de alta periculosidade, onde construiremos algo parecido. Depois faremos uma prisão para presos não tão perigosos, mas onde teremos que implementar oficinas produtivas e o plano Ócio Zero".
| Ponto do anúncio | O que foi dito | Fonte |
|---|---|---|
| Prisões novas | Duas: uma de alta periculosidade "parecida" com o CECOT e outra para presos de menor periculosidade | Presidência do Peru |
| Prazo | Cerca de sete meses, "nessa mesma velocidade" do CECOT | RPP / EFE |
| Financiamento | Orçamento "programado para o próximo ano"; nenhum valor informado | RPP / EFE |
| Obras em andamento | Concluir seis prisões que estão em construção | Presidência do Peru |
| Regime interno | Plano Ócio Zero, oficinas produtivas e bloqueio de comunicações | Presidência do Peru |
| Localização e capacidade | Não informadas | — |
Até 1º de novembro, o governo não havia publicado o custo, a localização nem a capacidade das duas megaprisões, nem um decreto que as ordene. A Presidência informou que a delegação recolheu "várias ideias" na visita e que o governo usará os poderes legislativos concedidos pelo Congresso para declarar as gangues criminosas como grupos "hostis" ou "terroristas" (Presidência do Peru). Esses poderes delegados foram aprovados em outubro após a votação do Senado sobre as faculdades legislativas.

Como é o CECOT que Keiko Fujimori quer replicar
O CECOT é uma prisão de segurança máxima construída em 2023 em Tecoluca, no centro de El Salvador, com capacidade para 40.000 presos, segundo o dado citado pela RPP. É o emblema do regime de exceção de Bukele contra as gangues, em vigor desde março de 2022. Durante a visita, o ministro da Defesa salvadorenho, René Merino, afirmou que, quando Bukele assumiu em 2019, as gangues controlavam 83% do território, número do governo salvadorenho sem medição independente.
| Dado | CECOT (El Salvador) | Sistema penitenciário do Peru |
|---|---|---|
| Capacidade | 40.000 presos (uma única prisão) | 41.764 vagas em 69 presídios (cálculo com dados do INPE) |
| População | Não informada oficialmente | 105.156 internos em presídios em março de 2026 |
| Superlotação | — | 63.392 pessoas sem vaga (152% acima da capacidade) |
| Tempo de construção | Cerca de sete meses (2022-2023) | Meta do governo: sete meses por prisão nova |
Fonte: RPP para o CECOT; dados do INPE de março de 2026 citados pelo La República. A capacidade peruana é cálculo próprio: população interna menos o excesso informado. Com esses números, uma única prisão do tamanho do CECOT quase dobraria as vagas que todo o sistema peruano tem hoje.
Os acordos assinados por Keiko Fujimori e Nayib Bukele
Em 29 de outubro, na Casa Presidencial de San Salvador, os dois presidentes assinaram uma declaração conjunta para "aprofundar a relação bilateral com uma agenda orientada a resultados", segundo a Presidência do Peru. Também foram assinados acordos de cooperação em saúde, segurança, justiça e turismo, e foi estabelecida uma Associação Bilateral. Fujimori convidou Bukele a visitar o Peru e propôs negociar um tratado de livre comércio.
- Segurança e justiça: troca de experiências em gestão penitenciária e combate ao crime organizado transnacional.
- Saúde: a delegação conheceu o Doctor SV, programa salvadorenho de telemedicina; ao voltar, o governo anunciou que vai impulsionar a telemedicina para reduzir o tempo de espera.
- Educação: visita a escolas e ao programa de infraestrutura escolar salvadorenho.
- Comércio: proposta peruana de um TLC bilateral, sem negociação formal anunciada.
Os textos completos dos acordos não haviam sido publicados até o fechamento desta matéria.
| Data | Atividade da visita oficial | Fonte |
|---|---|---|
| 29 de outubro | Visita ao CECOT com os ministros do Interior e da Justiça; reunião com Bukele e assinatura de acordos na Casa Presidencial | Presidência do Peru |
| 30 de outubro | Reunião com empresários salvadorenhos, visitas a programas de educação e saúde e anúncio das duas megaprisões | RPP / EFE |
| 31 de outubro | Retorno a Lima e reuniões com embaixadores no Palácio do Governo | Presidência do Peru |

O que Bukele disse sobre copiar seu modelo no Peru
Na entrevista coletiva conjunta, Bukele se distanciou de uma réplica exata: "Copiar idêntico não faria sentido, porque todos os países são diferentes", disse, segundo a RPP. Acrescentou que "a idiossincrasia da delinquência do Peru é diferente" e que o problema peruano não é comparável ao que El Salvador viveu: "O remédio não precisa ser tão forte para uma doença que é menor".
Fujimori respondeu na mesma linha: "As experiências bem-sucedidas devem ser analisadas, estudadas e adaptadas, porque somos países diferentes" (Presidência do Peru). O modelo salvadorenho recebeu críticas de organizações de direitos humanos por detenções em massa e falta de devido processo durante o regime de exceção; o governo peruano não detalhou quais elementos desse regime adotaria.
O plano penitenciário do governo peruano antes da viagem
As megaprisões fazem parte de uma estratégia que o governo já vinha aplicando. Em 26 de outubro, Fujimori dirigiu uma operação para desmontar oito estações e 43 antenas ilegais que davam sinal aos presídios Ancón I, Piedras Gordas II, Sarita Colonia e Andahuaylas, com o lema "o controle das prisões será retomado" (Presidência do Peru). O Comando Unificado, que reúne as Forças Armadas e a Polícia, também assumiu o controle perimetral dos presídios.
A segurança é o tema que mais pesa na avaliação do governo, que completa 100 dias no início de novembro com aprovação de 40% segundo a Ipsos. Para saber quanto ganham os que executam essa política nas ruas, veja quanto ganha um policial no Peru.
Perguntas frequentes
Quantas megaprisões o Peru vai construir?
Keiko Fujimori anunciou duas: uma para internos de alta periculosidade, parecida com o CECOT, e outra para presos de menor periculosidade com oficinas produtivas.
Em quanto tempo ficariam prontas?
A presidente disse que poderiam ser construídas em cerca de sete meses, como o CECOT, dependendo da decisão política e do orçamento de 2027.
Quanto vão custar as megaprisões?
O governo não informou valor, localização nem capacidade. Disse apenas que os recursos estão programados para o próximo ano.
Qual é a capacidade do CECOT?
40.000 presos, segundo o dado citado pela RPP e pela EFE. Todo o sistema penitenciário peruano tem cerca de 41.764 vagas para 105.156 internos.
Quais acordos o Peru assinou com El Salvador?
Uma declaração conjunta, acordos de cooperação em saúde, segurança, justiça e turismo e uma Associação Bilateral. O Peru também propôs negociar um TLC.



