O senador Flávio Bolsonaro, que perdeu o segundo turno de 25 de outubro para Luiz Inácio Lula da Silva, saiu do Brasil pela Argentina e chegou a Miami na quarta-feira, 28 de outubro, em um avião particular que decolou de Puerto Iguazú, na província de Misiones, e fez escala em Guayaquil, no Equador. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que ele entrou no país na noite da terça-feira, 27, "sem nenhum impedimento legal", segundo o TN e o Infobae.
A viagem ocorreu depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou a retenção de seus passaportes, segundo o próprio senador. O governo de Javier Milei nega ter colaborado, enquanto a Justiça federal de Puerto Iguazú e a oposição pedem explicações. Esta reportagem organiza o que se sabe e o que ainda não está confirmado.
Cronologia da viagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina
| Data e hora | Fato | Fonte |
|---|---|---|
| Domingo, 25 de outubro | Lula vence o segundo turno; a Polícia Federal pede a retenção do passaporte de Flávio Bolsonaro e o ministro De Moraes aceita naquela noite | La Nación |
| Segunda, 26 de outubro | Flávio diz em vídeo que recebeu ordem de entregar os passaportes e está proibido de sair do país; afirma que não pensa em ir embora | Infobae |
| Segunda 26, à noite | Um Gulfstream G400 da empresa Baires Fly chega a Puerto Iguazú vindo do Aeroparque de Buenos Aires | Infobae |
| Terça 27, 22h50 | Flávio, a esposa e as duas filhas atravessam a ponte Tancredo Neves rumo a Misiones | Migrações, via TN |
| Terça 27, 23h30 | A família embarca no voo particular com destino declarado a Guayaquil | Migrações, via TN |
| Quarta 28 | O avião abastece em Guayaquil e pousa no aeroporto de Opa-locka, em Miami | Infobae |
Fontes: La Nación, Infobae e TN. Segundo o Infobae, a rota evitou sobrevoar o território brasileiro. Alguns veículos informaram a entrada como ocorrida na segunda-feira, 27; o dia 27 de outubro de 2026 foi uma terça-feira.
O que diz o governo Milei sobre Flávio Bolsonaro
A versão oficial mudou ao longo das horas. Primeiro, fontes do governo chegaram a dizer que Bolsonaro "nunca entrou" no país, e o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, afirmou que não houve "nenhum pedido de asilo", segundo o TN. Depois, a Migração confirmou a entrada e a saída com documentação em ordem.
| Quem | O que disse | Fonte |
|---|---|---|
| Direção Nacional de Migrações | Entraram "com documentação de viagem hábil sem nenhum impedimento legal" e os trânsitos foram registrados "sem incidentes" | TN, Infobae |
| Diego Santilli, chefe de Gabinete | "Entrou pela Migração, não tinha impedimentos da Interpol"; "viajou aos EUA via Guayaquil" | La Gaceta |
| Fontes da Casa Rosada | "Não temos nada a ver" com a saída | La Nación |
| Uma fonte do governo citada pelo Infobae | "Queríamos fazer da forma mais organizada possível" | La Gaceta, citando o Infobae |
| Adrián Ravier, porta-voz | A Argentina não recebeu nenhum pedido de asilo | TN |
Fontes: La Gaceta, La Nación e TN. Segundo o La Gaceta, o Infobae informou que a Casa Rosada ofereceu Puerto Iguazú como ponto de saída e que funcionários conheciam os detalhes; o governo não confirmou oficialmente. O La Nación, citando O Globo, atribui a organização da saída ao irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos.

A investigação sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina
- Denúncia penal: a deputada nacional Marcela Pagano apresentou denúncia na Justiça federal de Puerto Iguazú sobre os controles de fronteira e possíveis crimes de funcionários, segundo o TN.
- Pedido de informações: o promotor federal de Puerto Iguazú, Fabián Martínez, pediu informações a órgãos oficiais para saber se havia algum impedimento à entrada.
- Provas: a denúncia pediu a preservação das câmeras da ponte e do aeroporto, dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato do voo particular.
- Congresso: setores da oposição preparam pedidos de interpelação ao Executivo, segundo o La Gaceta.
A dúvida central é se a ordem brasileira de retenção dos passaportes tinha alcance fora do Brasil ou havia sido comunicada à Argentina e à Interpol. Segundo o governo, não havia alertas internacionais; segundo o Infobae, o STF e a Polícia Federal não haviam respondido às consultas sobre o alcance da medida.
O que se sabe e o que não se sabe do caso Flávio Bolsonaro
| Pergunta | Situação | Base |
|---|---|---|
| Ele passou pela Argentina? | Confirmado | Comunicado da Migração |
| Havia impedimento para entrar ou sair da Argentina? | Segundo o governo, não: sem alertas da Interpol | Migração e Santilli |
| Existia uma ordem da Justiça brasileira? | Segundo o senador, sim: retenção dos passaportes e proibição de sair do Brasil | Vídeo do senador; pedido da Polícia Federal informado pelo La Nación |
| O governo argentino ajudou? | Não confirmado: o governo nega; há relatos na imprensa sobre coordenação | La Nación, La Gaceta e Infobae |
| O governo dos Estados Unidos participou? | Não confirmado: informação da Folha de S.Paulo | La Nación |
| Ele pediu asilo? | Não na Argentina, segundo o porta-voz; nos Estados Unidos não há confirmação oficial | TN e La Nación |
Por que a Justiça do Brasil investiga Flávio Bolsonaro
De acordo com o Infobae, a retenção do passaporte estaria ligada a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro relacionada à sua relação com o advogado Willer Tomaz. O senador também é investigado por suspeitas de corrupção no financiamento do filme biográfico sobre seu pai, "Dark Horse". Flávio Bolsonaro nega ter fugido: "Não fugi do Brasil, saí pelo Brasil", disse em um comunicado em que agradeceu a Donald Trump e a Milei, segundo o TN. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado.

O que a saída de Flávio Bolsonaro significa para a relação Argentina-Brasil
O episódio chega em um momento tenso: Milei apareceu ao lado de Flávio durante a campanha e o governo antecipou que não se pronunciaria sobre a vitória de Lula. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a desvalorização do real após a eleição já pressiona o câmbio argentino. Os números do comércio estão em o comércio entre Argentina e Brasil após a reeleição de Lula, e os resultados do segundo turno, em Lula vence o segundo turno.
O perfil do senador, com sua trajetória e propostas de campanha, está em quem é Flávio Bolsonaro. Esta reportagem será atualizada com o que informarem a Justiça argentina e as autoridades brasileiras.
Perguntas frequentes
Onde está Flávio Bolsonaro?
Nos Estados Unidos. Ele pousou em 28 de outubro de 2026 no aeroporto de Opa-locka, em Miami, após sair de Puerto Iguazú com escala em Guayaquil.
Flávio Bolsonaro passou pela Argentina?
Sim. A Migração confirmou que ele entrou na terça-feira, 27 de outubro, às 22h50, pela ponte Tancredo Neves e saiu em um voo particular às 23h30.
O governo Milei ajudou Flávio Bolsonaro?
O governo nega. O chefe de Gabinete disse que ele não tinha impedimentos da Interpol; a Justiça federal de Puerto Iguazú investiga após uma denúncia.
Por que ele não podia sair do Brasil?
Segundo o próprio senador, o ministro Alexandre de Moraes determinou a retenção de seus passaportes e o proibiu de sair do país após o segundo turno. Não está claro se a ordem tinha alcance internacional.
Ele pediu asilo na Argentina?
Não. O porta-voz presidencial Adrián Ravier disse que a Argentina não recebeu nenhum pedido de asilo.



