A Warner Music processou várias empresas do grupo EssilorLuxottica, dono da Ray-Ban e da Oakley, por usar sem licença pelo menos 427 músicas em publicações no Instagram e no TikTok. Com o máximo legal de US$ 150.000 por obra, o pedido supera US$ 64 milhões. O caso deixa uma lição para qualquer marca: a música que as redes sociais oferecem é para uso pessoal, não comercial.
O que diz o processo
| Dado | Detalhe |
|---|---|
| Autores | Atlantic Music Group, Warner Chappell e outras empresas do Warner Music Group |
| Réus | Luxottica Group, Oakley, Eye Buy Direct e Costa Del Mar |
| Tribunal | Corte federal de Nova York |
| Obras reclamadas | Pelo menos 427, entre gravações e composições |
| Gravações | Cerca de 140, de artistas como Dua Lipa, Ramones, Charli XCX, The Black Keys e Van Halen |
| Valor máximo | Mais de US$ 64 milhões (US$ 150.000 por obra) |
| Avisos prévios | Duas notificações extrajudiciais, em dezembro de 2025 e maio de 2026 |
Os detalhes foram publicados pelo Digital Music News, que analisou o texto da ação. Segundo a Warner, as marcas do grupo somam mais de 36 milhões de seguidores e sua estratégia nas redes foi fundamental para seus resultados comerciais. A EssilorLuxottica não respondeu ao pedido de comentário do veículo antes da publicação. É um processo em andamento: o que se descreve são as acusações de uma das partes, e não há decisão.
O ponto central: a música das redes não é para as marcas
Quando uma pessoa publica um vídeo com uma música da biblioteca do TikTok ou do Instagram, está coberta: as plataformas pagam licenças para esse uso pessoal. Uma empresa que promove seus produtos não está. Para uso comercial é preciso uma licença própria, e isso inclui as publicações pagas a influenciadores.
A ação sustenta que as empresas ignoraram os avisos das próprias plataformas, e inclui uma captura da tela de confirmação de uso de música do TikTok. Também reclama pelos vídeos de influenciadores contratados, sob a figura de infração indireta.
Não é um caso isolado
As grandes gravadoras vêm apresentando ações desse tipo há anos. O Digital Music News enumera casos contra a bebida Bang Energy, a rede de calçados DSW, a marca de cookies Crumbl, a loja de roupas Pacsun, restaurantes, universidades e times da NBA e de hóquei. Vários terminaram em acordos.
| Uso | Coberto pela licença da plataforma? |
|---|---|
| Uma pessoa publica um vídeo com uma música da moda | Sim |
| Uma marca publica um vídeo de produto com essa mesma música | Não |
| Um influenciador pago pela marca usa a música na publicidade | Não |
| Uma marca usa a biblioteca de música comercial da plataforma | Sim |
Como evitar o problema se você cuida da conta de uma marca
- Use a biblioteca comercial. O TikTok tem uma biblioteca de música comercial e a Meta, uma coleção de sons livres de direitos, pensadas para contas de empresa.
- Se quer a música da moda, licencie. É preciso pedir permissão tanto pela gravação quanto pela composição, que costumam ter donos diferentes.
- Confira o que seus influenciadores publicam. Se o vídeo faz parte de uma campanha paga, a responsabilidade pode alcançar a marca.
- Apagar depois não apaga a infração. As ações incluem vídeos antigos.
- Não ignore uma notificação. Neste caso houve duas antes do processo.
Isto descreve o caso e a prática geral nos Estados Unidos; não é assessoria jurídica, e as regras mudam conforme o país.
Por que as gravadoras insistem
Porque o vídeo curto é hoje onde as músicas viram sucesso e onde as marcas fazem publicidade. As gravadoras querem cobrar por esse uso como cobram por uma música em um comercial de televisão. E a lei americana lhes dá uma ferramenta forte: até US$ 150.000 por obra quando a infração é deliberada, o que transforma algumas centenas de vídeos em uma cifra de dezenas de milhões.
Sobre como as marcas vendem nas redes, veja a live de Rihanna no TikTok Shop. E, sobre o negócio do áudio, o que é um podcast.
Perguntas frequentes
Por que a Warner Music processou a dona da Ray-Ban?
Porque acusa empresas do grupo EssilorLuxottica de usar pelo menos 427 músicas sem licença em publicações no Instagram e no TikTok.
Quanto dinheiro pede?
Com o máximo legal de US$ 150.000 por obra, mais de US$ 64 milhões.
Uma empresa pode usar músicas do TikTok em seus vídeos?
Só as da biblioteca de música comercial. As demais estão licenciadas para uso pessoal.
Já há uma decisão?
Não. A ação foi apresentada a uma corte federal de Nova York e está em andamento.



