O Chile ainda não vai assinar sua adesão à Coalizão Americana contra os Cartéis (A3C), a aliança militar contra o narcotráfico promovida pelo governo de Donald Trump. O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, participa nesta terça-feira, 27 de outubro, da terceira reunião do grupo na República Dominicana, mas como observador, segundo El País e El Mostrador. "O Chile não vai assinar ainda", disse na segunda-feira o porta-voz do governo, Gonzalo Arenas.
A decisão veio depois de uma reunião do presidente José Antonio Kast com os ministros do Interior, Relações Exteriores, Defesa e Segurança Pública no domingo, 25 de outubro, que não resolveu o tema, de acordo com BioBioChile. Até o fechamento desta matéria, não se conheciam os acordos da reunião na República Dominicana, que busca assinar um marco de governança e um plano estratégico conjunto.
O que é a Coalizão contra os Cartéis (A3C)
| Aspecto | O que se sabe |
|---|---|
| Nome | Coalizão Americana contra os Cartéis (A3C); a BioBioChile a chama de Coalizão das Américas contra as Organizações Criminosas |
| Promotor | Governo dos Estados Unidos (Donald Trump) |
| Objetivo declarado | Combater o narcotráfico e o chamado narcoterrorismo com cooperação e operações militares conjuntas |
| Membros | 18 países; nem o México nem o Brasil fazem parte |
| Estrutura militar | Apoia-se na Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental (JTF-WHEM), ativada pelo Comando Sul em 4 de agosto |
| Reuniões | Panamá (a anterior) e República Dominicana (26 e 27 de outubro de 2026, a terceira) |
Fontes: El País, El Mostrador e BioBioChile. O El País registra que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, definiu essa força-tarefa como "o braço operacional do Comando Sul" e apresentou a aliança como uma "coalizão eficaz e letal".
A A3C não é o Escudo das Américas
O Chile já aderiu em setembro ao Escudo das Américas, outra iniciativa de Washington. São instâncias diferentes, embora fontes americanas citadas pelo El País digam que são complementares:
| Escudo das Américas | Coalizão contra os Cartéis (A3C) | |
|---|---|---|
| Caráter | Político e econômico | Militar |
| Chile | Aderiu em setembro de 2026 | Observador; não assinou |
| O que inclui | Cooperação econômica, controle de investimentos e cadeias de minerais críticos, segundo a declaração do Departamento de Estado | Cooperação e operações militares conjuntas contra organizações criminosas |
| Posição do governo chileno | "Uma declaração política", não um tratado | Analisa "novas informações" e quer consultar o Congresso |
Fonte: El País. A adesão ao Escudo gerou críticas da oposição por seu alcance; o governo sustentou que não é um tratado e não compromete a soberania.

Por que o Chile não assina a Coalizão contra os Cartéis
O governo deu três razões públicas. Arenas disse que o Executivo recebeu "novas informações" na semana passada e quer compartilhá-las com outros ministérios e com parlamentares: "É um tema de Estado e o governo quer a participação de todos os atores políticos". Acrescentou que há dúvidas sobre se o documento é um tratado internacional e que, mesmo que não seja, a participação do Congresso "é fundamental". Pavez explicou que Kast preferiu enviar um subsecretário político enquanto não houver definição, e o ministro da Defesa, Fernando Barros, defende seguir como observador até conhecer o que se acordar na República Dominicana.
A dúvida de fundo, segundo a BioBioChile, são as operações conjuntas e suas implicações para a soberania. Na reunião do Panamá, Hegseth pediu aos membros que deixassem o Tribunal Penal Internacional, investissem "consideravelmente" em defesa e destacou operações conjuntas com Equador, Honduras e Guatemala. Fontes do governo dos EUA disseram ao El País que o rascunho atual não cria um comando multinacional, não compromete a soberania, já não exige mais gasto em defesa e permite que cada país escolha do que participa.
Quem pressiona para entrar e quem pede cautela
| Ator | Posição | Frase ou argumento |
|---|---|---|
| Guillermo Ramírez, presidente da UDI | Aderir | Seria um "erro ficar fora dessa aliança contra o crime organizado" |
| Arturo Squella, presidente do Partido Republicano | Aderir | A decisão é do presidente, mas ficar de fora seria "especialmente delicado" |
| Fernando Barros, ministro da Defesa | Observador por enquanto | Esperar os acordos da República Dominicana |
| Gonzalo Arenas, porta-voz do governo | Não assinar ainda | Revisar novas informações e consultar o Congresso |
Fontes: El País e El Mostrador. Arenas assumiu como porta-voz neste mês: veja quem é Gonzalo Arenas. O contexto político do governo, com aprovação de 29% segundo a Cadem, está em a última pesquisa Cadem.

O que vem agora
- República Dominicana: a reunião de 26 e 27 de outubro deve aprovar o marco de governança e o plano estratégico. Seu conteúdo final será a base da decisão chilena.
- Congresso: o governo anunciou que compartilhará as informações com parlamentares. Não há data para uma definição.
- Tratado ou não: se o documento fosse considerado um tratado internacional, a Constituição exige a aprovação do Congresso antes da ratificação.
Perguntas frequentes
O que é a A3C?
A Coalizão Americana contra os Cartéis, aliança promovida pelos Estados Unidos para combater o narcotráfico com cooperação e operações militares conjuntas. Tem 18 membros.
O Chile faz parte da Coalizão contra os Cartéis?
Não. Participa como observador. O governo disse em 26 de outubro que "o Chile não vai assinar ainda".
Quem representa o Chile na República Dominicana?
O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, como observador.
Que países não estão na A3C?
Segundo El País e El Mostrador, nem o México nem o Brasil.
É o mesmo que o Escudo das Américas?
Não. O Escudo é uma iniciativa política e econômica à qual o Chile aderiu em setembro; a A3C tem caráter militar.


