O Chile é o país da OCDE com a maior proporção de adolescentes que jogam videogame mais de três horas por dia durante a semana: 36% dos estudantes de 15 anos, contra uma média de 26% nos países da organização. O dado faz parte do segundo volume do relatório Perspectivas da Economia e da Sociedade Digitais 2026 da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, que o secretário-geral Mathias Cormann apresentou nesta quinta-feira, 5 de novembro, na Cúpula Digital de Tallinn, na Estônia, segundo o BioBioChile.
O estudo, com dados coletados em 2025, também mostra que 81% dos jovens de 15 anos da OCDE jogam videogame em um dia normal de semana e que, no Chile, 9% jogam mais de sete horas por dia. A OCDE havia anunciado o relatório para esta data em um aviso à imprensa. Esta reportagem reúne os números disponíveis, o que dizem sobre o desempenho escolar e o que o relatório não permite concluir.
O que diz o relatório da OCDE sobre videogames
Ver os dados em uma tabela
| Jogam mais de 3 horas por dia útil no Chile | 36% |
| Média da OCDE | 26% |
| Jogam em um dia normal de semana (OCDE) | 81% |
| Jogam mais de 7 horas por dia no Chile | 9% |
A OCDE divide os jogadores em três grupos segundo o tempo dedicado aos videogames em um dia típico de semana. Em média, 19% dos estudantes não jogam nada, 54% jogam até três horas, hábito que a organização considera "moderado", e 26% passam de três horas, o que ela chama de "jogo intenso".
| Tempo de jogo em um dia de semana | Média da OCDE | Classificação da OCDE |
|---|---|---|
| Não joga | 19% | Sem jogo |
| Até 3 horas | 54% | Jogo moderado |
| Mais de 3 horas | 26% (Chile: 36%) | Jogo intenso |
| Mais de 7 horas | 5% (Chile: 9%) | Parte do jogo intenso |
Fonte: OCDE, relatório Perspectivas da Economia e da Sociedade Digitais 2026, volume 2, segundo o BioBioChile. Os números correspondem ao que os próprios estudantes de 15 anos declararam em 2025.
O Chile e o jogo intenso de videogame: o ranking da OCDE
A proporção de estudantes que jogam mais de três horas vai de 17% na Espanha e 18% na Suíça até 36% no Chile. No Reino Unido, na Suécia e na Lituânia, cerca de um em cada três estudantes declarou esse nível de jogo, enquanto na Áustria, na Islândia e na Itália a proporção se aproxima de um em cada cinco. Estes são os países para os quais o relatório, no que foi publicado até agora, traz um número exato:
| País | Jogam mais de 3 horas por dia útil | Observação |
|---|---|---|
| Chile | 36% | O mais alto da OCDE; 9% jogam mais de 7 horas |
| Reino Unido, Suécia e Lituânia | Cerca de 1 em cada 3 | Menos de 1 em cada 7 britânicos não joga nada |
| Média da OCDE | 26% | 5% jogam mais de 7 horas |
| Itália | 20% | |
| Áustria e Islândia | 19% | Na Islândia, menos de 3% jogam mais de 7 horas |
| Suíça | 18% | |
| Espanha | 17% | O mais baixo |
| Eslováquia, Tchéquia e Eslovênia | Sem número publicado | Mais de um quarto não joga nada durante a semana |
Fonte: OCDE via BioBioChile. O Chile também lidera no extremo mais alto: 9% dos seus estudantes declararam jogar mais de sete horas em um dia de semana, contra menos de 3% na Austrália e na Islândia. Para dimensionar o acesso a telas na região, veja o ranking de uso da internet na América Latina, onde o Chile aparece entre os países mais conectados.

Quantas horas os adolescentes jogam videogame por sexo e nível socioeconômico
O relatório mostra que o tempo dedicado aos videogames muda conforme o sexo e a origem socioeconômica. Em 2025, os meninos de lares desfavorecidos da OCDE dedicavam em média 21 horas por semana aos jogos, e as meninas do mesmo grupo, 13 horas. Entre os estudantes de lares favorecidos, os números caem para 17 horas nos meninos e 9 nas meninas.
| Grupo (média da OCDE, 2025) | Horas semanais de videogame | Equivale a |
|---|---|---|
| Meninos de lares desfavorecidos | 21 horas | 3 horas por dia |
| Meninos de lares favorecidos | 17 horas | 2,4 horas por dia |
| Meninas de lares desfavorecidos | 13 horas | 1,9 hora por dia |
| Meninas de lares favorecidos | 9 horas | 1,3 hora por dia |
Fonte: OCDE via BioBioChile; a equivalência diária é um cálculo próprio que divide as horas semanais por sete. O relatório publicado até agora não traz esse detalhamento para o Chile.
Videogames e desempenho escolar: onde está o limite
A relação entre videogames e notas não é linear. Segundo a OCDE, quem joga entre uma e três horas em um dia normal tem desempenho semelhante ou um pouco superior em matemática, leitura e ciências em relação a quem joga menos. Acima desse nível, o jogo durante a semana se associa a resultados piores, com quedas mais precoces e acentuadas entre as meninas e os estudantes de lares favorecidos.
"Os videogames podem favorecer as habilidades cognitivas, a criatividade e o bem-estar, mas o jogo intensivo está associado a um menor desempenho acadêmico, especialmente entre as meninas e os estudantes de contextos favorecidos", alerta a organização, na citação reproduzida pelo BioBioChile.
| Tempo de jogo em um dia de semana | Relação com o desempenho segundo a OCDE |
|---|---|
| Menos de 1 hora | Ponto de comparação |
| De 1 a 3 horas | Desempenho semelhante ou ligeiramente superior em matemática, leitura e ciências |
| Mais de 3 horas | Associado a resultados acadêmicos piores |
| Mais de 3 horas, meninas e lares favorecidos | A queda começa antes e é mais acentuada |
É uma associação, não uma prova de causa: o relatório descreve que os dois fenômenos aparecem juntos, mas com esses dados não é possível afirmar que jogar mais seja o que baixa as notas.

O que se sabe sobre o jogo problemático
O jogo intenso medido pela OCDE não equivale a um vício. A Organização Mundial da Saúde inclui o "transtorno do jogo" (gaming disorder) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) e o descreve como um padrão de jogo com perda de controle, em que o jogo tem prioridade sobre outras atividades e continua apesar das consequências negativas, normalmente por pelo menos 12 meses, segundo sua página de perguntas e respostas. A OMS esclarece que apenas uma pequena parte de quem joga videogame desenvolve esse transtorno.
- Jogo intenso (OCDE): mais de três horas em um dia de semana, declarado pelo estudante.
- Transtorno do jogo (OMS): diagnóstico clínico com perda de controle e prejuízo da vida pessoal, familiar, escolar ou profissional.
- O que o relatório mede: tempo de jogo e sua relação com o desempenho, não diagnósticos.
O que o relatório sobre videogames não permite concluir
Há três limites a ter em mente ao ler o ranking. Primeiro, são dados declarados pelos estudantes, não medições do tempo real de tela. Segundo, referem-se a um dia de semana; o fim de semana não está nesses números. Terceiro, a amostra é de adolescentes de 15 anos matriculados na escola, por isso não descreve todos os jovens chilenos.
Também não há, no que foi publicado até agora, números de outros membros latino-americanos da OCDE, como México, Colômbia ou Costa Rica. Quando o relatório completo estiver disponível no site da organização, esta reportagem será atualizada com a tabela por país. Enquanto isso, outros números de conectividade do país estão na nossa matéria sobre a velocidade da internet no Chile.
Perguntas frequentes
Que porcentagem dos adolescentes chilenos joga videogame mais de três horas por dia?
36% dos estudantes de 15 anos, em um dia de semana, segundo o relatório da OCDE apresentado em 5 de novembro de 2026. É a maior proporção entre os países da OCDE, cuja média é 26%.
Qual país da OCDE joga menos videogame?
A Espanha, com 17% de estudantes que jogam mais de três horas em um dia de semana, seguida pela Suíça (18%), Áustria e Islândia (19%).
Jogar videogame baixa as notas?
Segundo a OCDE, jogar entre uma e três horas em um dia normal se associa a um desempenho semelhante ou um pouco melhor. Acima desse nível, o jogo se associa a resultados piores, sobretudo nas meninas e nos estudantes de lares favorecidos. É uma associação, não uma relação de causa comprovada.
O que é jogo intenso segundo a OCDE?
Jogar videogame mais de três horas em um dia típico de semana. Até três horas é, para a organização, um hábito moderado.



