A relação entre Rússia e China vive seu melhor momento comercial, mas seu projeto mais ambicioso segue parado. O intercâmbio cresceu 25,6% no primeiro semestre de 2026, enquanto o gasoduto Força da Sibéria 2 continua travado por uma diferença de preço. Este é o estado de uma parceria menos equilibrada do que parece.

Quanto Rússia e China comercializam
| Indicador | Número |
|---|---|
| Comércio bilateral informado por Putin em setembro de 2026 | 240 bilhões de dólares |
| Crescimento no primeiro semestre de 2026 | 25,6% |
| Alta das exportações de petróleo russo para a China, primeiro trimestre de 2026 | 35% |
| Parte dos pagamentos do comércio exterior russo feita em yuans | Mais de um terço |
Os números mudam conforme a fonte: a agência chinesa Xinhua situou o comércio de 2025 em torno de 228 bilhões de dólares. O que ninguém discute é a tendência, impulsionada pela energia e pelas sanções ocidentais, que levaram a Rússia a vender para a Ásia e a deixar o dólar.
O que Rússia e China acertaram na cúpula de 2026
Vladimir Putin viajou a Pequim em maio de 2026. Ele e Xi Jinping assinaram uma declaração conjunta sobre sua «parceria abrangente» e mais de 40 acordos em comércio, educação, tecnologia e segurança nuclear, segundo a CNBC. Xi disse que a relação está em «seu nível mais alto da história».
Por que o gasoduto entre Rússia e China não avança
O Força da Sibéria 2 levaria 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano dos campos russos de Yamal até a China, passando pela Mongólia. Em setembro de 2025 as partes assinaram um memorando vinculante, mas preço, financiamento e prazos ficaram sem solução.
| Ponto em disputa | Posição |
|---|---|
| Preço buscado pela China | Próximo ao do mercado interno russo: 120 a 130 dólares por mil metros cúbicos |
| Preço buscado pela Rússia | Semelhante ao do primeiro gasoduto, que analistas estimam em mais que o dobro |
| Resultado da cúpula de maio de 2026 | Sem acordo de construção nem de venda |
O centro de estudos Carnegie destacou que os acordos que Moscou mais queria ficaram de fora da cúpula. No fim de setembro, o projeto continuava travado.
Rússia e China: uma relação desigual
A China é o principal parceiro comercial da Rússia. A Rússia, por sua vez, representa cerca de 4% do comércio total da China. Essa diferença explica por que Pequim pode esperar por um preço melhor do gás e Moscou não.
Também não é uma aliança militar formal. Os dois governos falam em parceria, e a China se declara neutra diante da guerra na Ucrânia, embora mantenha o comércio com o Kremlin.
Parte desse comércio já é paga em moeda chinesa. Se o tema interessa a você, leia o que é o yuan digital. Para mais contexto internacional, veja nossa seção de atualidade.
Perguntas frequentes
Rússia e China são aliadas?
Definem-se como parceiras estratégicas. Não têm um tratado de defesa mútua.
Quanto Rússia e China comercializam?
Putin estimou o intercâmbio em 240 bilhões de dólares em setembro de 2026; outras fontes dão números um pouco menores.
O que é o Força da Sibéria 2?
Um gasoduto projetado para levar 50 bilhões de metros cúbicos de gás russo por ano à China através da Mongólia.
Por que não é construído?
Porque os dois países não chegam a um acordo sobre o preço do gás.



