As remessas para o México somaram US$ 5,362 bilhões em setembro de 2026, alta anual de 1,6%, segundo o Banco do México (Banxico). Em relação a agosto, porém, caíram cerca de 1,7% e acumularam o segundo mês de queda. Entre janeiro e setembro chegaram US$ 47,164 bilhões, 2,1% a mais que no mesmo período de 2025, de acordo com a divulgação de 3 de novembro registrada pela N+ e pelo La Razón.
O dado confirma um ano de crescimento muito moderado: depois da queda de 2025, os envios de dinheiro dos Estados Unidos se recuperam pouco, com menos operações e valores médios mais altos. Esta matéria reúne os números do Banxico, o que explica a mudança e o contexto do novo imposto de 1% cobrado pelos Estados Unidos desde janeiro.
Quanto o México recebeu em remessas em setembro de 2026
A tabela de remessas do Sistema de Informação Econômica do Banxico mostra os últimos três meses. Setembro teve o menor valor desde abril, segundo o El Financiero, embora o México some cinco meses seguidos acima de US$ 5 bilhões.
| Mês | Remessas (US$ milhões) | Operações (milhões) | Envio médio (US$) |
|---|---|---|---|
| Julho 2026 | 5.570,6 | 13,08 | 426 |
| Agosto 2026 | 5.452,3 | 13,25 | 412 |
| Setembro 2026 | 5.362,2 | 12,58 | 426 |
Fonte: Banxico, tabela CE81, consultada em 4 de novembro de 2026. O envio médio é o informado pela própria tabela; em setembro coincide com o publicado pela N+. Os números do Banxico são revisados com frequência e podem mudar nas próximas divulgações.
Remessas para o México no ano: alta de 2,1% até setembro
O acumulado de 2026 supera o de 2025 em cerca de US$ 980 milhões. O avanço vem do valor médio de cada envio, e não do número de envios, que continua caindo.
| Indicador (janeiro a setembro) | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Remessas recebidas | US$ 46,184 bilhões | US$ 47,164 bilhões | +2,1% |
| Número de operações | cerca de 118 milhões | 114,9 milhões | −2,7% |
| Envio médio | US$ 391 | US$ 411 | +5% |
| Remessas enviadas do México | US$ 872 milhões | US$ 972 milhões | +11,4% |
Fontes: Banxico, via N+ e La Razón. O número de operações de 2025 é uma estimativa a partir da queda de 2,7% informada; o Banxico não o divulga nesses comunicados. Nos últimos 12 meses (outubro de 2025 a setembro de 2026) entraram US$ 63,452 bilhões, quase o mesmo que nos 12 meses anteriores (US$ 63,370 bilhões).

Por que as remessas para o México crescem pouco
Os analistas apontam sobretudo para o mercado de trabalho dos migrantes mexicanos nos Estados Unidos. Gabriela Siller, diretora de análise econômica do Grupo Financiero Base, atribuiu a fraqueza à política migratória do presidente Donald Trump e ao fato de que muitos mexicanos teriam voltado, segundo o El Financiero. Janneth Quiroz, da Monex, disse ao mesmo jornal que o emprego nos Estados Unidos não reflete o maior dinamismo daquela economia.
Uma análise do Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos (CEMLA), citada pelo El Financiero, estima que nos primeiros nove meses de 2026 o emprego de imigrantes mexicanos continuou caindo: cerca de 278 mil trabalhadores a menos na construção, 107 mil a menos em alimentação, recreação e hospedagem e quase 80 mil a menos na indústria.
- Menos envios: as operações de setembro caíram 6,3% em um ano, segundo a N+.
- Envios maiores: o valor médio subiu 8,4% no ano, para US$ 426.
- Câmbio: Siller prevê que a recente desvalorização do peso melhore, a partir de outubro, o poder de compra das famílias que recebem dólares.
- Base de comparação: setembro de 2025 foi um mês fraco, informado então pelo Banxico em US$ 5,214 bilhões, com queda de 2,7%, segundo a Uno TV.
O imposto de 1% sobre remessas nos Estados Unidos
Desde 1º de janeiro de 2026 vigora nos Estados Unidos um imposto de 1% sobre transferências de dinheiro ao exterior, criado pela lei fiscal conhecida como One Big Beautiful Bill e codificado na seção 4475 do Código da Receita Federal. Ele só se aplica quando o envio é pago com dinheiro vivo, ordem de pagamento postal, cheque administrativo ou instrumento físico semelhante. Envios pagos a partir de conta bancária ou com cartão de débito ou crédito ficam de fora, explica a consultoria RSM.
| Como o envio é pago | Paga o 1%? |
|---|---|
| Dinheiro vivo no balcão | Sim |
| Ordem de pagamento ou cheque administrativo | Sim |
| A partir de conta bancária | Não |
| Com cartão de débito ou crédito emitido nos EUA | Não |
O efeito aparece nos canais: no acumulado do ano, 99,2% das remessas chegaram por transferência eletrônica (US$ 46,773 bilhões), contra 0,6% em dinheiro e espécie e 0,2% em money orders, segundo o La Razón. O Banxico não atribui em seus números um valor específico ao imposto, de modo que seu impacto total não está medido.

O que as remessas significam para o México
As remessas são uma das principais fontes de dólares do país, ao lado das exportações industriais e do investimento estrangeiro. O México é o maior receptor de remessas da América Latina em dólares, como mostra nosso ranking de remessas por país. Por isso o dado é acompanhado de perto em um ano em que a relação com Washington pesa na economia, como explicamos em o que está em jogo para o México nas eleições de meio de mandato dos EUA.
Para as famílias que as recebem, o valor em pesos depende do câmbio. Com um peso mais fraco, cada dólar rende mais, mesmo que chegue o mesmo valor. Para comparar com a renda local, veja quanto é o salário mínimo no México em 2026.
| Dado de contexto | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Remessas de setembro de 2026 | US$ 5,362 bilhões (+1,6% no ano) | Banxico |
| Saldo da conta de remessas, setembro | Superávit de US$ 5,247 bilhões | Banxico, via La Razón |
| Remessas enviadas do México, setembro | US$ 115 milhões (+23,2%) | Banxico, via La Razón |
| Próximo dado (outubro) | Início de dezembro | Calendário habitual do Banxico |
Perguntas frequentes
Quanto dinheiro chegou ao México em remessas em setembro de 2026?
US$ 5,362 bilhões, 1,6% a mais que em setembro de 2025 e cerca de 1,7% a menos que em agosto, segundo o Banxico.
Quanto somam as remessas em 2026?
US$ 47,164 bilhões entre janeiro e setembro, 2,1% a mais que no mesmo período de 2025.
Qual é o envio médio?
US$ 426 em setembro de 2026 e US$ 411 no acumulado do ano, contra US$ 391 em 2025.
O imposto de 1% é cobrado em todas as remessas?
Não. Só nos envios pagos com dinheiro vivo, ordem de pagamento, cheque administrativo ou outro instrumento físico. Os pagos a partir de conta bancária ou com cartão estão isentos.
Por que as remessas caíram em relação a agosto?
Os analistas atribuem ao menor emprego de migrantes mexicanos nos Estados Unidos e à política migratória. As operações caíram 6,3% em um ano.



